Fembra recebe a ONG Parceiros Voluntários

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31- Janeiro - 2018

Fembra recebe a ONG Parceiros Voluntários

 

 

 

Neste mês de janeiro, a Feambra teve a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a ONG Parceiros Voluntários, responsável por organizar o voluntariado para que todos trabalhem de forma responsável e sempre ajudando o próximo.


FEAMBRA - Como surgiu a ONG Parceiros Voluntários?


PARCEIROS VOLUNTÁRIOS - Há 20 anos, Maria Elena, nossa presidente (voluntária), manifestou seu sonho ao fundar a ONG Parceiros Voluntários. E a fundou por sonhar com uma coisa chamada Responsabilidade Social Individual – RSI, a qual diz: trabalhar os valores internos faz despertar na pessoa o seu verdadeiro valor, o que a torna mais ativa e socialmente transformadora do mundo ao seu redor.

Quem não sonha com uma comunidade cidadã, onde cada um perceba-se como cidadão pleno, com compromissos e deveres para com essa comunidade?

Como educar para a solidariedade, para que cada um de nós queira incluir, em seu projeto de vida, o projeto de vida do outro?

O que nos mobiliza para sermos seres humanos melhores, como prega Peter Drucker?

Como desenvolver uma cultura?

Como construir uma mobilização social forte?

Como envolver a instituição de ensino no voluntariado?

Como instigar o jovem para participar da sua comunidade?

Como trazer os pais para participarem?

Como implantar gestão e transparência em organizações da sociedade civil (creches, asilos, associações)?

Como comprometer os dirigentes de entidades de classe?

Como sensibilizar lideranças empresariais?

Como conscientizar pessoas para a transformação social, dentro e fora de nós?

Como criar uma rede, expandir propósitos e amor à causa?

Como manter acesa a chama de um movimento que busca uma sociedade ética e participativa?

Foi assim que nasceu a ONG Parceiros Voluntários: muitas perguntas e poucas respostas. Ao aprender fazendo, o entusiasmo venceu o medo.


F - Quando começou a parceria com o Centro de Voluntariado de São Paulo e como foi esse processo de união entre as duas entidades?


PV - A relação de parceria com o Centro de Voluntariado de São Paulo data deste o ano de 1997, quando na administração do presidente Fernando Henrique Cardoso foi criado o projeto Comunidade Solidária que tinha por objetivo promover a participação cidadã e novas formas de diálogo entre o Estado e a Sociedade civil. Na promoção do voluntariado, a Comunidade Solidária apoiou a criação de cerca de 150 Centros de Voluntários em grandes e médias cidades, buscando criar infraestrutura adequada para ações voluntárias.

Foi nesta ocasião então que nasceu tanto o Centro de Voluntariado de São Paulo/SP como a Parceiros Voluntários em Porto Alegre/RS.

Uma característica destes Centros de Voluntariado foi o modelo de trabalho de forma integrada.

Tendo a Parceiros Voluntários um desejo de se estabelecer no Estado de São Paulo e o Centro de Voluntariado um desejo de focar mais na área da Educação, ambas as instituições tomaram a decisão de que a Parceiros Voluntários deveria incorporar a operação do CVSP e assim selaram este acordo, o qual foi anunciado em outubro de 2017.


F - Quais as novidades que podemos esperar dessa união com o Centro de Voluntariado de São Paulo?


PV - Diferentemente do Centro de Voluntariado/SP, a Parceiros Voluntários estruturou as suas estratégias de atuação não somente no fomento ao voluntariado organizado. Ao longo dos 20 anos de atuação desenvolvemos uma série de metodologias, que nos permitem realizar os seguintes Programas em São Paulo:


I. Programa Mobilização de Recursos Humanos Voluntários

O voluntariado não é simplesmente um ato individual. Não é algo que os indivíduos fazem simplesmente por sua própria iniciativa.

Isso é apenas uma parte. O voluntariado é também um ato social.

As pessoas devem ser solicitadas a voluntariar-se e o voluntariado precisa ser estruturado para ser efetivo. Isso significa que o voluntariado deve ser solicitado onde as organizações sem fins lucrativos estão mais aptas a estimulá-lo.


II. Programa Fortalecimento da Teia Social – OSCs

O Programa prevê o assessoramento às Organizações da Sociedade Civil (OSCs) nas comunidades brasileiras, por meio de uma intervenção focada no desenvolvimento das lideranças comunitárias e das organizações sociais, em gestão, princípios de transparência e prestação de contas.


Objetivos


Qualificar lideranças comunitárias, visando o fortalecimento das Organizações da Sociedade Civil, como cogestoras e corresponsáveis pela garantia de direitos socioassistenciais;

Assessorar as Organizações da Sociedade Civil no processo de reordenamento, a partir das orientações da Política Nacional de Assistência Social (PNAS) e Tipificação dos Serviços Socioassistenciais;

Capacitar para uma boa gestão que busque a sustentabilidade tanto no que tange ao gerenciamento de recursos financeiros, materiais, quanto humanos contratados, voluntários, parcerias e redes colaborativas;

Capacitar as lideranças comunitárias em Princípios de Transparência e Prestação de Contas.


III. Programa Valores na Educação


Objetivo


Oferecer à comunidade escolar, com base na formação integral do ser humano, vivências de experiências que permitem múltiplos aprendizados, o voluntariado, em que o protagonismo estudantil surge como proposta educativa de promoção de valores humanos e éticos. Ao vivenciar uma experiência coletiva de cidadania e solidariedade o estudante desenvolve competências que contribuem para a vida e preparam para o mundo do trabalho, como criatividade, liderança, empreendedorismo, saber trabalhar em grupo, respeito pelo outro e mais habilidades.

A ação Tribos nas Trilhas da Cidadania, parte integrante da metodologia de valores na educação, propõe uma abordagem relacionada ao desenvolvimento da criança, do adolescente e do jovem como pessoa capaz de ser cocriadora com os outros, em um espaço de convivência social desejável, com o envolvimento de pais, alunos, professores e gestores, tornando-se a educação, assim, um compromisso e uma conquista de todos.


IV. Programa Fomento ao Voluntariado Empresarial


Objetivo


Sensibilizar a empresa para ver-se como agente estimulador de seus colaboradores, no exercício da RSI – Responsabilidade Social Individual e para a importância de sua participação em projetos sociais da comunidade onde está inserida.


F - De acordo com a sua experiência, como é visto o trabalho voluntário no Brasil? Houve um aumento de interesse pelo voluntariado na área cultural?


PV - Ainda temos um longo caminho a percorrer. Toda pessoa é solidária e um voluntário em potencial, inclusive esta é uma das crenças da Parceiros Voluntários.

Segundo o World Giving Index 2017 (WGI 2017), estudo feito pela Charities Aid Foundation (CAF), instituição com sede no Reino Unido e que no Brasil é representada pelo IDIS, um em cada cinco brasileiros fizeram algum tipo de trabalho voluntário. O WGI, conhecido como ranking global de solidariedade, registra o número de pessoas que doaram dinheiro para uma organização da sociedade civil, ajudaram um estranho no mês anterior ao levantamento ou fizeram trabalho voluntário.

Este ano, foram entrevistadas 146 mil pessoas em 139 países. O estudo foi divulgado no dia 5 de setembro em um evento no Centro Ruth Cardoso, em São Paulo, que reuniu representantes de organizações sociais e especialistas no tema da Cultura de Doação.

O estudo constatou que 20% dos entrevistados afirmaram ter feito algum tipo de trabalho voluntário, marca recorde para o Brasil desde que o levantamento começou a ser feito, em 2009. Na edição anterior da pesquisa, este índice ficou na casa dos 18%.

Mais da metade, 54% das pessoas ouvidas, disse ter ajudado um estranho, número que se manteve estável em relação ao ano passado. O único comportamento que mostrou piora em 2017 foi o número de pessoas que doaram dinheiro. Depois de bater 30% em 2016, o índice agora caiu para 21%.

No geral, a pontuação do Brasil no World Giving Index caiu de 34% para 32%, o que levou o país a perder 7 lugares no ranking, ficando em 75º lugar. A pontuação do país caiu ligeiramente esse ano, mas ainda se mantém maior que em anos anteriores. É a segunda melhor colocação desde que o WGI foi criado.

Em relação ao voluntariado na área cultura, nós ainda não temos informações consistentes, entretanto tenho a crença de que a partir do momento em que tivermos uma rede de museus com pessoas capacitadas para desenvolverem um Programa de Voluntariado, de uma forma organizada e com método de mobilização, este processo de expansão da atuação dos voluntaries na área cultura dar-se-á de forma automática


F - Como os museus podem se preparar para abrir as portas para o voluntariado?


PV - A Parceiros Voluntários acredita no Programa de Voluntariado organizado. A palavra organizado nos diferencia de outras organizações que trabalham com este tema.

Para nós ser um voluntário é disponibilizar seu tempo, conhecimento e emoção em benefício do outro, entretanto de forma alinhada com a demanda da Organização Social. Não acreditamos no voluntarismo, que significa ajudar quando se pode. O voluntariado organizado pressupõe assumirmos um compromisso com data, local e definição da atividade para realizar.

Todos os voluntários que são encaminhados pela Parceiros Voluntários devem passar pela nossa Reunião de Conscientização, a qual apresentamos, entre vários temas abordados, os direitos e deveres deste voluntário, o aspecto legal, o significado de ser um voluntário. Já a Organização Social que recebe este voluntário deve possuir em seu quadro um Coordenador de Voluntários, o qual também é capacitado pela Parceiros Voluntários, que tem por função acolher as pessoas encaminhadas e garantir que o processo do início do trabalho voluntário seja feito de maneira profissional.

As Organizações Sociais precisam ter o claro entendimento sobre o quão valioso este recurso é para elas.

Em relação ao voluntariado nos museus, entendo que devemos garantir, em cada um dos museus que vierem a participar deste programa, da capacitação de uma pessoa que será atribuída a função de Coordenador de Voluntários. Somente assim conseguirem garantir a eficiência e eficácia neste processo e termos voluntários comprometidos e fidelizados com a causa.


F - Você citou o projeto de capacitação para empresas. O que é e quando pretende implementar?


PV - Conforme informei anteriormente, o Programa de Voluntariado Empresarial visa sensibilizar a empresa para ver-se como agente estimulador de seus colaboradores, no exercício da RSI – Responsabilidade Social Individual e para a importância de sua participação em projetos sociais da comunidade onde está inserida. O Voluntariado Empresarial é uma rota estratégica que traz ganhos para a empresa, a comunidade e os colaboradores. Do lado social, permite reduzir problemas que aflijam verdadeiramente a comunidade, resultando em melhorias na qualidade de vida, ajudando a construir uma sociedade mais saudável e trabalhando, em última instância, em favor da perpetuação das atividades da empresa. No âmbito dos negócios, Programas de Voluntariado Empresarial auxiliam no desenvolvimento de habilidades pessoais e profissionais, promovem lealdade e a satisfação com o trabalho, ajudam a atrair e a reter funcionários qualificados.

Também podem contribuir para que a empresa promova a sua marca ou melhore a reputação dos seus produtos.

A implantação de um Programa de Voluntariado é uma experiência muito particular e deve estar alinhada às diretrizes da empresa. As bases do programa e suas ações deverão atender as expectativas da empresa, das pessoas e da comunidade onde se realizará a atividade. A metodologia desenvolvida pela ONG Parceiros Voluntários, contempla diversas ações e atividades:

A reflexão por parte da empresa de como o objetivo de responsabilidade social está vinculado a sua missão, visão, valores, prioridades institucionais e sua conduta no campo da responsabilidade social empresarial;

A criação e capacitação do Comitê Interno de Voluntariado;

Assessoramento durante o desenvolvimento das atividades;

Avaliação do Programa;

Atividades de revitalização.


F - Como você analisa uma parceria com a Feambra nesse projeto de capacitação dirigido a museus?


PV - Assim como todas as associações sem fins lucrativos mapeadas no Brasil, dos quais os museus também fazem parte, as Organizações encontram-se em um nível de maturidade diferente, quanto aos aspectos de gestão. Toda vez que a Parceiros Voluntários inicia um processo de capacitação ela primeiro realiza um diagnóstico de todo as organizações que irão participar deste processo, para compreender as suas reais necessidades, e assim customizar a nossa metodologia para melhor atendê-los.

Diante deste cenário, para desenvolvermos uma capacitação assertiva para os museus, primeiramente deveremos ter o mapeamento do nível de maturidade de cada um dos participantes em potencial, para assim conseguirmos desenvolver uma solução que venha ao encontro das necessidades dos participantes.

Entendo que, talvez, a primeira capacitação que possamos oportunizar seja o nosso curso de Coordenador de Voluntários, que tem por objetivo instrumentalizar as pessoas que objetivam trabalhar com os voluntários de forma organizada, por meio de conceitos, planejamento, acompanhamento e avaliação, visando usufruir dos recursos humanos voluntários que a sociedade está colocando à disposição.

Esta parceria entre Feambra e Parceiros Voluntários é bastante viável, o que precisaremos é buscar apoio para realizar as capacitações, sejam eles recursos humanos, financeiros, estrutura e/ou materiais.