Feambra apresenta: O Museu e o Simbolismo da Memória

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03- Janeiro - 2019

Feambra apresenta: O Museu e o Simbolismo da Memória

 

Nossa voluntária Iara Conca produziu um texto sobre o papel do museu e a simbologia que traz em nossas memórias. Leia a seguir:

O Museu e o Simbolismo da Memória

Por Iara Conca

Pensando no amplo papel de um museu como um espaço conservador e expositor de memórias de uma sociedade, devemos não só relacioná-lo à ideia de passado, mas também como um elo significativo para o presente e o futuro. Quando vamos a um museu, a primeira impressão é a clara referência ao passado mais próximo e/ou mais distante, que os objetos e textos inferem. Neles estão resguardadas ações humanas subordinadas às circunstâncias dos espaços e épocas em que foram realizadas e, a partir das suas necessidades individuais e de grupos, refletiram e criaram objetos que lhes fornecessem meios de sobrevivência em diferentes graus. Para além dos objetos de uso funcionais, estas criações expressavam anseios emocionais. A busca na explicação dos fenômenos externos e internos, perturbadores na falta de concretude, levou a sociedade humana a criar lendas, esculturas, pinturas, sons ritmados, imagens distorcidas de impressões da realidade, arquiteturas e uma infinidade de objetos reveladores da expressividade humana, pela amplitude da mente para além dos limites do concreto. Considerando que os objetos trazem em si tanto o utilitarismo como a simbologia de sua criação, de toda esta produção, como nos leva a refletir sobre nossas condições presentes e futuras como seres humanos, na sua essência gregária? A arte, como expressão humana, traz embutidas as marcas do seu tempo, mas traz também a possibilidade de ressignificar sensações e fatos que a traduzem. Sua capacidade de instigar os seres humanos aponta para infinitos caminhos e possibilidades transformadoras, como respostas quase que intuitivas às necessidades no tempo em que são vistas. Sejam elas obras expostas ao ar livre, como monumentos, construções “fechadas” como museus, ou a céu aberto, como o caso de Inhotim, em Minas Gerais. As criações humanas são temporais no que expressam do período e momentos em que foram imaginadas, concomitantemente são forjadas e atemporais na sua capacidade nata de nos levar a sentir e refletir sobre nosso estado presente e nos instigar a buscar refletir sobre nossas posturas e atitudes na construção do futuro.