Guia Feambra

Informativo Feambra - Janeiro/2007

Palavra do Presidente                                                                            
 

Caro associado, nesta edição apresentamos um pouco da história e alguns trabalhos realizados pelo fotógrafo Marc Ferrez . Nascido em 1843, foi o único profissional a merecer o título de Photographo da Marinha Imperial, em 1880. Introduziu no mercado as primeiras chapas secas dos irmãos Lumière, inovou ao utilizar o flash de magnésio e produziu as maiores chapas panorâmicas do mundo (40x120 cm), retratando paisagens brasileiras.

Foi um importante retratista – há registros informais dos membros da família imperial brasileira -, porém sua predileção foi pela paisagem. Ferrez é considerado precursor do fotojornalismo no País. Em seus mais de 50 anos de trabalho, percorreu grande parte do Brasil, porém dedicou praticamente metade de sua obra ao Rio de Janeiro. Registrou a construção das principais estradas de ferro brasileiras e retratou as atividades em fazendas de café e de cana-de-açúcar, em minas de ouro de Minas Gerais e nos serviços de captação de água no Rio de Janeiro.

Nascido no Brasil, viveu na França dos 8 aos 20 anos. Ao retornar, começou a fotografar paisagens e especializou-se em registros da natureza e de paisagens urbanas como fotógrafo da Marinha Imperial e integrante da Comissão Geográfica e Geológica do Império. Sua obra incluindo um conjunto de mais de 4 mil negativos originais de vidro, adquirida em 1998 pelo Instituto Moreira Salles. É sem dúvida o principal fotógrafo brasileiro do século XIX.   

José Marcelo Braga Nascimento 
Presidente da Fambra

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Semana de Museus 2007
O Ministério da Cultura promoverá, pelo quinto ano consecutivo, a Semana Nacional de Museus. A celebração de 2007 terá como tema “Museus e o Patrimônio Universal” e acontecerá de 14 a 20 de maio, em todo o país. A iniciativa insere-se nas comemorações do Dia Internacional dos Museus em 18 de maio.

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Exposição Marc Ferrez revela história da fotografia e do Brasil       

A obra do fotógrafo carioca Marc Ferrez (1843-1923)   mistura-se com a história da fotografia no Brasil. A exposição “O Brasil de Marc Ferrez - Fotografias do Acervo do Instituto Moreira Salles”, aberta em São Paulo oferece a oportunidade de conferir o trabalho do fotógrafo na mais ampla exposição já realizada.

Ferrez, filho de franceses, foi o mais importante fotógrafo do século 19 e início do 20. Paisagista e documentarista, registrou transformações que ocorreram no fim do Império até a República

Para a exposição foram preparadas cerca de 350 imagens selecionadas dentre as mais de 5.500 do acervo do fotógrafo. A cidade do Rio de Janeiro é tema preferido do artista que documentou imagens históricas da cidade.

Foram registrados também paisagens de todo o país como cachoeiras de várias localidades, florestas de araucária no Paraná, construções de estradas de ferro, fazendas de café, minas de ouro, o Porto de Santos e as embarcações da Marinha Imperial. Uma das características do seu trabalho fotográfico é colocar a figura humana no plano, para mostrar a quem a vê, a escala de grandeza das belezas naturais.

Durante suas passagens por São Paulo documentou a expansão da capital paulista. Personalidades com:  Machado de Assis; membros da família real como Imperador Pedro 2º, e também índios, negros e vendedores ambulantes, em pleno trabalho de rua, foram por Ferrez eternizados.

Marc Ferrez trabalhava como fotógrafo da Marinha Imperial e da Comissão Geográfica e Geológica do Império,  teve o privilégio de poder percorrer boa parte do território nacional. Profissional que não dispunha de estúdio,  desde o início de sua carreira optou pela fotografia de paisagem.

Consagrado como o melhor fotógrafo deste período no Brasil, pela beleza registrada por sua câmera em imagens do passado, é possível acompanhar e recuperar por meio de suas obras a história da fotografia, suas transformações tecnológicas e estéticas através da produção de um único fotógrafo.

O acervo de fotografia do IMS, guardado e pesquisado majoritariamente na sede do Rio, é um dos mais ricos do País. Nessa coleção, o grande destaque é o acervo de milhares de imagens em torno da obra de Ferrez, que foi doado em 1998 pelo neto do fotógrafo, o historiador Gilberto Ferrez. Equipamentos e os diários do fotógrafo também foram doados.

Além das  fotos exibidas, encontra-se na exposição, uma grande sala especial preparada no centro da Galeria do Sesi com todos os equipamentos utilizados por Ferrez – no rcinto encontram-se: uma grande câmera com a qual ele fazia suas famosas panorâmicas do Rio de Janeiro -, vitrines com oito negativos originais em vidro, suas primeiras imagens coloridas, datadas por volta de 1915, com explicações técnicas para o público entender o processo de sua fotografia.

Para os especialistas em fotografia é possível conferir o processo histórico da revelação e o processamento químico existente no século XIX. Ferrez mostrou-se um mestre em negativos de vidro e flash de magnésio, além de expert nas técnicas de platina e albumina, utilizadas à época e adotadas agora na impressão contemporânea das imagens exibidas.

A mostra gratuita acontece até 4 de março na Galeria do Sesi, localizada no Centro Cultural da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). “O Brasil de Marc Ferrez”  tem a curadoria de Sergio Burgi, coordenador da área de fotografia do Instituto Moreira Salles (IMS), e do diretor superintendente do IMS, Antonio Fernando De Franceschi.

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Livro mostra Di Cavalcanti como grande criador de jóias
                                                          
O pintor brasileiro Emiliano di Cavalcanti (1897-1976) foi um exímio criador de jóias. Este aspecto menos conhecido do artista está no livro “Di Cavalcanti”, lançado pelas edições Pinakotheke, com uma biografia completa e um minucioso inventário da trajetória artística do modernista.

No livro são encontradas caricaturas e ilustrações dos anos de 1920 e 30, pinturas, fotografias históricas e reproduções de cartas. A edição bilíngüe (português/inglês) traz textos de Ferreira Gullar, José Mindlin e Max Perlingeiro, editor do livro. 

O artista começou a desenhar jóias nos anos 60, após conhecer o joalheiro francês Lucien Finkelstein, que chegara de Paris e se tornara grande admirador de suas pinturas. Os dois fizeram um contrato de exclusividade
Pois, Finkelstein se impressionara com a qualidade dos desenhos do parceiro, que foram transformados em jóias de ouro e brilhantes.

Cerca de 30 jóias criadas pelo artista,  pertencentes a coleções particulares, estarão numa exposição prevista para o primeiro semestre deste ano

No livro “Di Cavalcanti”, além desta relação com as jóias, apresenta-se uma cronologia que mostra o início da carreira do artista como caricaturista e ilustrador, com seu primeiro desenho publicado na revista Fon-Fon, em 1914, quando ainda era um estudante do Colégio Militar.

O trabalho com o desenho – em revistas como “A Cigarra”, “O Pirralho e a Erótica” e “A Maçã”, e em livros como “Memórias Sentimentais de João Miramar”, de Oswald de Andrade – seguiu paralelamente à produção de pinturas. Di desenhou um anúncio de revista, do creme dental Odol, em 1928.

O editor fez uma pesquisa de quase quatro anos em alguns arquivos: do Museu de Arte Moderna de São Paulo; na Fundação Bienal de São Paulo e no Museu Nacional de Belas Artes, com a família do artista e nos  arquivos de João Condé.

A cronologia é ilustrada com fotografias do artista no ateliê, em Paris e Veneza, no Rio e em São Paulo, com Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, além de fotos de família.

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Niemeyer continua ativo

O arquiteto Oscar Niemeyer que completou 99 anos em dezembro e continua trabalhando, acaba de assinar projetos para governos nacionais e internacionais, entre eles, da Espanha, Cuba, Itália, França, Minas Gerais e Recife.

Entre os trabalhos internacionais, o arquiteto preparou para a cidade de Havana, em Cuba, uma escultura em que um dragão ataca um cubano, que impávido, defende-se. Segundo Niemeyer o dragão da maldade é o presidente norte-americano George W. Bush.

Para a Espanha há um projeto da construção de um centro cultural de 24 milhões de euros na região das Astúrias. Na Itália um Centro de Música para ser construído nas rochas sobre o mar, está em fase de licitação. Na França, na cidade de Paris, uma escultura de um monumento dedicado à paz.

No Brasil há pelo menos 10 propostas em fase de negociação, entre centros culturais, museus e auditórios. Na cidade de Brasília foi inaugurado o Museu da República; a Biblioteca Nacional está em construção e há a intenção de concluir o Eixo Monumental tal qual ele o concebeu.

Para a cidade de Recife, Niemeyer prepara um centro cultural à beira-mar. Em Minas Gerais trabalha em um centro administrativo de 300 mil m² e também no prédio principal do Governo do Estado que deverá ser sustentado pelo teto. São quatro colunas fora do prédio que sustentam a estrutura. É a leveza em seus trabalho, subvertendo uma lei elementar da construção: àquela que afirma que os prédios devem ser sustentados pelo chão.

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A tela “O Grito” de Munch é recuperada dois anos após roubo

A polícia da Noruega recuperou os quadros “O Grito” e “Madonna” do pintor norueguês Edward Munch, dois anos após terem sido roubados no Museu Munch, em Oslo. Os quadros foram recuperados em uma operação nos arredores da capital norueguesa. Não foram efetuadas detenções.

As telas aparentemente sofreram poucos danos, porém passarão por uma investigação técnica, inclusive para verificação de sua autenticidade. Em 22 de agosto de 2004, dois homens invadiram o Museu Munch, em Toyen, no centro de Oslo. Eles ameaçaram com uma arma dois agentes da segurança e visitantes,  enquanto roubavam as telas. A Prefeitura de Oslo tinha oferecido recompensa de 250 mil euros por estas obras.

O presidente da Fambra  José Marcelo Braga Nascimento e sua esposa Regina, estiveram em Oslo em novembro de 2006, no museu Munch e ficaram assombrados com a grandeza do artista demonstrada em suas fases de vida, através de suas obras.

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Portinari poderá reforçar ensino nas escolas públicas
   
A obra completa do pintor brasileiro Cândido Portinari poderá reforçar o ensino e a pesquisa nas escolas públicas de ensino básico em todo o Brasil. O filho do pintor, João Cândido Portinari, encontrou-se com o ministro da Educação, Fernando Haddad, para discutir a possibilidade de se distribuir a alunos e outros interessados, a coleção organizada por ele, que reúne o trabalho do pai.

Fruto de 28 anos de pesquisa minuciosa, iniciada em 1979, o catálogo inclui cinco livros com as 4.991 pinturas de Portinari, 1.200 fotografias de época, 30 mil documentos e um CD-rom que oferece ferramenta de busca e traz informações complementares aos livros. Há ilustrações de todas as pinturas de Portinari, em ordem cronológica, acompanhadas, por um índice que apresenta informações técnicas da obra, como o tipo de tinta ou material usado na pintura, data e dados bibliográficos.

Disponível em livrarias no Rio de Janeiro e em São Paulo, a coleção custa R$ 2 mil. O preço pode cair a R$ 150, mantendo padrões de qualidade como capa dura e boa impressão de fotos, para tiragem de 50 mil coleções, que poderiam alcançar 35 milhões de alunos. Falta definir o preço final da obra, tiragem, qualidade de impressão e número de escolas e bibliotecas.

Portinari traduziu em suas telas vários aspectos da cultura brasileira, envolvendo temas sociais, históricos e religiosos e apresentou tipos populares do campo e da cidade. A obra “Guerra e Paz”, do pintor brasileiro estampa um painel imponente na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos.

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Rosemarie Trockel no Paço das Artes
 
Foi inaugurado no Paço das Artes a exposição de Rosemarie Trockel, uma das mais atuantes artistas alemãs da atualidade. A mostra reúne mais de 70 obras, entre fotografias, desenhos, vídeos, esculturas e instalações. Produzidos entre 1978 e 2002, os trabalhos oferecem uma amostra ampla da produção da artista.

Um dos destaques da exposição é a peça “Máquina de pintura”, de 1990, literalmente uma "máquina de fazer pintura", composta por 56 pincéis e acompanhada de sete obras produzidas pela mesma.

As peças são confeccionadas a partir de objetos do cotidiano do universo feminino, tema recorrente no trabalho da artista, que marca uma contraposição aos valores masculinos que dominam o mundo da arte.

A exposição passou pelo MoMA, de Nova York (1988), pelo Centro Georges Pompidou, de Paris (2000) e pelo Moderna Museet, de Estocolmo (2001). Esteve na Bienal de Veneza de 1999, na Documenta de Kassel de 1997, na Bienal de São Paulo de 1994 e nas Bienais de Istambul de 1999 e 1995. A mostra tem o apoio do
Instituto Goethe.

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Iphan comemora 70 anos                                                                                                     

No dia 13 de janeiro, teve início as comemorações dos 70 anos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan. Em 1937 foi criado o Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan), e foi a primeira instituição no gênero na América Latina.

A pedido do então ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema, Mário de Andrade elaborou o anteprojeto de lei com o auxílio de outros intelectuais modernistas como Manuel Bandeira, Prudente de Moraes Neto, Luís Jardim, Afonso Arinos, Lucio Costa e Carlos Drummond de Andrade. A criação do Instituto, foi obra dos intelectuais modernistas que propunham a valorização do país, da cultura e da arte brasileira, nas suas vertentes eruditas e populares.

A atual gestão procura consolidar o processo de reestruturação da entidade e um movimento de atualização conceitual nas políticas públicas da cultura. Investiu em novas regras de proteção do patrimônio e acelerou o ritmo das obras de restauro e ações nas cidades tombadas pelo patrimônio histórico.
A Instituição

Com 21 superintendências e seis representações estaduais, 27 escritórios técnicos, nove museus nacionais e 19 regionais e dois centros culturais, a autarquia do MinC tem sob sua guarda 20 mil edifícios tombados, 83 centros e conjuntos urbanos, 12.517 sítios arqueológicos e mais de um milhão de objetos cadastrados - incluindo acervo museológico, cerca de 250 mil volumes bibliográficos, documentação arquivística e registros fotográficos, cinematográficos em vídeo, operando com um corpo funcional de 2.537 pessoas.

O objetivo do Iphan é identificar, documentar, tombar, salvaguardar e fiscalizar o patrimônio histórico. Suas ações procuram a preservação da diversidade cultural, as tradições regionais e a expressão de todas etnias e de todas as camadas da população.

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Igreja em Sabará recebe restauração


Começa a segunda etapa de restauração da igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A igreja é uma das mais antigas de Minas Gerais e pretende ter novamente o seu esplendor, beleza e arte renovados.

A igreja foi construída em 1701 e tombada há 69 anos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). É recheada de símbolos e ícones religiosos. Estava com infiltrações, madeiras comidas pelos cupins, poeira que esconde o ouro das talhas e a própria perda das lâminas douradas ao longo do tempo. Os primeiros serviços de recuperação começaram logo depois da interdição da igreja em 2003, pois o local não oferecia segurança e estava se deteriorando. Nesta fase o Iphan gastou R$ 313 mil no restauro da capela-mor.

O  projeto de restauração está orçado em R$ 1,4 milhão. Metade dos recursos, R$ 712 mil, foi disponibilizado via Lei Rouanet, pela empresa Anglogold Ashanti. A nova etapa vai contemplar os elementos artísticos da nave central, oito altares, forro, madeiras, o coro e a imagem da padroeira, datada de 1750.

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“Música no Museu” apresenta série de Música Clássica

O projeto “Música no Museu”, que oferece espetáculos de alto nível artístico a custo zero, comemora neste verão seu 9º aniversário. Foi inaugurado em dezembro de 1997 no MNBA - Museu Nacional de Belas Artes pelo violonista Turíbio Santos e a partir de 2001 ampliou sua participação  para várias cidades brasileiras.

Todos os seus concertos são oferecidos com entrada franca, englobando diversos gêneros musicais e apresentando programas desde a música antiga até a moderna, com uma variação enorme de intérpretes e seus respectivos instrumentos, trazendo ainda um caráter didático de formação de platéia, sempre com estudantes presentes.

A série "Música no Museu" procura manter a programação intensa num período em que a música de concerto costuma entrar de férias. Tem servido de iniciação musical a estudantes em todo o Brasil. Em 2005 foram realizados 334 concertos gratuitos. Já é a maior série de música clássica no Brasil. Hoje é realizado em vários museus do Brasil, principalmente na cidade do Rio de Janeiro e em São Paulo no Museu da Casa Brasileira.

O objetivo do programa é formar novas platéias, facilitando e incentivando a presença de crianças e jovens aos concertos e a visita de seus freqüentadores aos museus onde acontecem os espetáculos da série. Procura desenvolver programas temáticos que combinam o repertório apresentado aos eventos de artes plásticas em curso nos locais. Pretende atingir públicos distintos, ter boa visibilidade na mídia, e atrair amantes da música e quebrar barreiras entre eventos de música clássica e de outros gêneros musicais e incentivar jovens músicos, dando-lhes a oportunidade de apresentarem-se em locais de prestígio.