Guia Feambra

Informativo Feambra - Agosto/2007

Palavra do Presidente

Cada vez mais a nossa sociedade leva, de certa forma, uma vida sedentária. As pessoas passaram a utilizar os automóveis ao invés de andarem, como era costume no passado. Um problema resultante disso é que as crianças também estão se acostumando à essa comodidade e têm preguiça de caminharem em parques ou fazer passeios que impliquem em andar durante uma certa quantidade de horas.
    
Por isso, é preciso estimular a realização desses tipos de passeios com as crianças, para que elas não dependam tanto da tecnologia para se divertirem. É comum vermos os parques sendo freqüentados apenas por quem deseja praticar algum esporte ou por pessoas mais idosas – que mantêm os antigos hábitos – contudo, aonde estão as nossas crianças? Elas estão nos shoppings ou, na maioria das vezes, em frente a um computador ou vídeo game, “brincando”.

Devemos parar para pensar se isso é saudável para a futura geração do Brasil. Será que vale a pena simplesmente deixar as crianças se acomodarem frente ao avanço tecnológico, enquanto podiam estar correndo em um parque ou praça com seus amigos? Com certeza não.

Atitudes precisam ser tomadas, e isso começa por nós, ensinando aos nossos filhos o quão importante é levar uma vida saudável e ativa. Além disso, mostrar a elas a cultura da cidade é uma das opções que temos e devemos exercer. Museus, exposições, eventos e mostras de dança e música com certeza são algumas opções agradáveis a se passar com as crianças.

José Marcelo Braga Nascimento
Presidente da Fambra

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Exposição retoma a Tropicália
                                                                                                         
   
A partir do dia sete de agosto tem início a mostra “Tropicália – Uma Revolução na Cultura Brasileira” no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, MAM-RJ. Essa exposição já passou por Chicago, Londres, Berlim e Nova York e tem o objetivo não apenas de mostrar o movimento musical de 1968, mas também de apresentar ao público o conjunto de arte brasileira que antecedeu o movimento.
   
Até o fim de setembro – quando a exposição chega ao fim – cerca de 250 obras de arte da época, dentre elas capas de discos, cartazes de cinema, roupas, livros, projetos arquitetônicos e poemas-objetos, têm a função de mostrar às pessoas a relação entre um dos mais fortes momentos artísticos do Brasil e as características gerais da época que o país vivia, explicando o seu significado para a história. Na área das artes plásticas, a exposição “Nova objetividade brasileira” de Hélio Oiticia, que trazia a instalação “Tropicália”, foi remontada.

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Companhia de dança Momix se apresenta no Brasil


A partir do dia 6 de agosto a companhia americana de dança Momix inicia sua turnê pelo Brasil. Inicialmente as apresentações serão no Rio de Janeiro; depois a companhia passará por São Paulo, Brasília, Salvador, Recife e Curitiba. O grupo do diretor Moses Pendleton, conhecido por misturar a dança de vanguarda com elementos de ilusionismo, irá apresentar os espetáculos “Lunar Sea” e “Opus Cactus”.
   
“Lunar Sea” tem a Lua como inspiração para suas coreografias e passa a impressão de ser dançado ou em um satélite ou sob um oceano, devido aos movimentos dos bailarinos. “Opus Cactus” foi criado em 2001 e passa a visão do grupo Momix sobre o deserto e seus habitantes. Essa coreografia é considerada, pela crítica, a melhor da companhia.

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Mostra sobre o passado portenho

O Instituto Moreira Salles no Rio de Janeiro apresenta, até o final de outubro, a exposição “Visões de Buenos Aires”, com as melhores imagens do cineasta e fotógrafo Horacio Coppola, atualmente com 101 anos. A maior parte das fotografias foram feitas entre os anos 20 e 30 e mostram ruas de comércio da cidade de Buenos Aires apinhadas enquanto pessoas elegantes descem de bondes, as fachadas dos teatros, as fontes e os famosos cafés da época, revelando como a capital portenha sempre foi uma cidade atípica.
   
Outras imagens retratam os subúrbios, os bairros afastados do centro de Buenos Aires, esquinas escuras e silenciosas, barcos ancorados na Boca e as luzes da noite portenha refletidas nas águas empossadas em conseqüência da chuva. São imagens que refletem as mudanças sociais e políticas na Argentina. Além disso, também faz parte da exposição um curta metragem de 16 minutos – “Así Nació el Obelisco” – feito pelo próprio Horacio Coppola que retrata como se deu a construção do Obelisco, principal monumento da cidade.

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Exposição reúne obras de Joaquín Torres García

                                                                                                            
O Instituto Tomie Ohtake apresenta, até o final de agosto, sua nova exposição que tem como foco desenhos do artista uruguaio Torres García (1874-1949). Sua obra é considerada de grande importância para a arte latino-americana pois através desse pintor surgiu o construtivismo no nosso continente.

A mostra que chega a São Paulo é uma pequena parte da exposição organizada pelo Museu Torres García, de Montevidéu, e traz 98 das 253 imagens do livro do artista, “Universalismo Construtivo”, junto com mais cinco telas e dois trabalhos em madeira.
   
Os desenhos reunidos nesse livro tinham objetivos didáticos e eram usados como material de apoio em conferências realizadas pelo pintor. O livro resume sua doutrina estético-filosófica e propõe a existência de uma arte americana de caráter mundial, baseada nos princípios de proporção, unidade e estrutura.

Seu conteúdo abrange, portanto, estudos sobre as proporções da face humana, desenhos de uma igreja sob diversos ângulos e reflexões sobre a relação entre a forma e o conteúdo, como se o pensamento abstrato de García estivesse sistematizado em cada desenho para se tornar palpável. A mostra apresenta um exemplar da primeira edição de “Universalismo Construtivo”, esgotado no mercado.

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Falta de cuidado e consciência com monumentos


Segundo estudos realizados em São Paulo, os principais monumentos da cidade estão mal conservados. A falta de manutenção e o vandalismo por parte da própria população são os grandes problemas. O Obelisco do Ibirapuera e o Monumento à Independência, no Ipiranga são dois exemplos disso.
   
Algumas empresas, na hora de fazer um contrato de restauro de algum monumento, não assinam o termo de manutenção. Dessa forma a restauração é feita mas a manutenção não, e depois de um tempo, será necessário mais gastos para concertar aquilo que podia ter sido mantido em ordem.

Além disso, existe o problema da falta de vigilância sobre os monumentos. Mas o pior é saber que as pessoas cometem vandalismo em obras tão importantes para a nossa história. O próprio monumento à Independência já teve os bicos de onde sai a água do chafariz roubados e apresenta diversas pichações.
   
É preciso conscientizar a população brasileira sobre a importância desses monumentos e o que eles representam para a história do país. O Obelisco, por exemplo, é um monumento funerário, símbolo da Revolução Constitucionalista de 1932, que abriga corpos de estudantes e ex-combatentes mortos durante a revolução. Outro monumento histórico, esse dedicado à Independência do Brasil, é o que está a frente do Museu do Ipiranga e em sua cripta estão os restos mortais de Dom Pedro I e sua esposa.

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O Barroco Mineiro em grande exposição                      

Até o dia 14 de outubro estará em exposição, no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, “Aleijadinho e seu tempo – fé, engenho e arte”. Essa mostra já passou pelo Rio de Janeiro e por Brasília, fornecendo aos visitantes o melhor da arte produzida durante o rico período do Ciclo do Ouro em Minas Gerais.
   
Dividida em 11 módulos, a exposição tem cerca de 200 peças originais, reunindo estátuas, objetos sacros, oratórios, desenhos, mapas, pinturas, fotografias e peças em ouro. Todo esse material demonstra o fervor cultural da época e o ambiente religioso e social que permitiu a produção desse acervo.
   
A mostra se inicia com gravuras de artistas, como Debret, que revelam a paisagem e os personagens da cidade Ouro Preto, contextualizando a época e o local onde surgiram as jóia barrocas, que são o próximo foco da exposição. O núcleo chamado Ouro exibe preciosas obras sacras e objetos que simbolizavam a força econômica da época.
   
O núcleo Aleijadinho apresenta diversas obras do grande gênio do Barroco, dentre elas imagens de santos entalhados em madeira, raramente vistas em museus. Há também um espaço dedicado à Igreja de São Francisco de Assis – localizada em Ouro Preto e considerada a obra-prima do artista. Na sala dedicada ao conjunto da Igreja de Bom Jesus de Matosinho há réplicas dos 12 profetas e uma projeção de imagens de Os Sete Passos da Paixão de Cristo.
   
Por fim a exposição apresenta obras de contemporâneos do grande artista Aleijadinho, com Mestre Ataíde, Francisco Vieira Servas, Mestre Pitanga e Francisco Xavier de Brito. Além disso, há doze documentos exibidos no auditório, sendo que alguns são curtas-metragens sobre o artista mais famoso do Barroco.

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Museu da Língua Portuguesa funciona até mais tarde
 
A partir de agosto o Museu da Língua Portuguesa encerrará suas atividades mais tarde. Todas as últimas terças-feiras de cada mês o seu horário de funcionamento será prorrogado até as dez horas da noite. Nesses dias a bilheteria fechará às 21 horas.

Segundo Antonio Carlos Sartini, superintendente-executivo do museu, essa política de expansão de horário é única entre os museus do Brasil e tem o objetivo de aumentar o acesso do público visitante. Além disso, essa medida está de acordo com a política de democratização de acesso elaborada pela Secretaria do Estado da Cultura.

Dessa forma um maior número de pessoas, incluindo aquelas que trabalham durante todo o dia,  poderá ir até museu, aumentando sua divulgação, o número de visitantes e, conseqüentemente, mostrando o quão importantes são os museus brasileiros. É necessário que, cada vez mais, a cultura e a história brasileira sejam incentivadas.