Guia Feambra

Informativo Feambra - Setembro/2007

Palavra do Presidente

O Brasil além de ser um país conhecido por sua riqueza natural, é também internacionalmente reconhecido pelas obras plásticas que possui. Uma enorme gama de talentos constitui a cultura brasileira desde o período colonial até os dias de hoje. Obras de profunda expressão artística, reproduzidas na arquitetura, na escultura ou em telas, tão singulares e raras que fazem com que a nossa história seja digna da cultura universal.
 
O que realmente nos faz pensar é quando questionamos o valor que atribuímos a tudo o que temos. Preservamos nossas riquezas naturais? Valorizamos nossos artistas? Prestigiamos ou conhecemos seus trabalhos? Não...mas esta postura de desinteresse está mudando! Resultados se vêem nas ONGS, formadas pela sociedade civil, que se mostram cada vez mais eficientes em manter a salvo nosso patrimônio,cumprindo o dever que órgãos públicos responsáveis não cumprem.

Há um suspiro de consternação no descaso que pode ser bem observado nos freqüentes furtos que sofrem os museus de todo o país. Os jornais têm publicado, quase que cotidianamente, notícias sobre roubos de peças que passam desapercebidos. O Museu do Ipiranga e a Biblioteca Nacional são alvos de pessoas que querem lucrar através da degradação de nossa arte nacional tornando-a uma mera mercadoria. Isso é nosso por direito. É do povo brasileiro!

O Brasil é o quarto colocado no ranking mundial de roubos de obras culturais. Por falta de organização e investimento em segurança nos museus estamos fadados a perder nossa memória que poderá levar-nos a um empobrecimento cultural e de perda de auto-estima nacional. Precisamos nos mobilizar para que haja maior atenção a nossa cultura que faz parte de nossa história e que faz do Brasil uma riqueza imensurável.

José Marcelo Braga Nascimento
Presidente da FEAMBRA

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MASP fecha 2º andar para reestruturação do acervo

A partir do dia 3 de setembro, o MASP fechou o 2º andar onde se localiza seu acervo de cerca de 8 mil obras para uma reestruturação física e conceitual. As peças serão divididas a partir de um foco mais temático do que por períodos e escolas, uma estrutura pensada pelo Curador-Chefe, Teixeira Coelho.

Apesar da reforma, o 1º Subsolo e o 1º andar continuam com as mostras moderna e contemporânea “Da Bauhaus a (agora!)” e “Arte e Ousadia – O Brasil na Coleção Sattamini”.   Enquanto isso o museu se prepara para comemorar seu aniversário de 60 anos na reabertura do acervo que será dia 2 de outubro, com a exposição “O Mito da Arte”.

Seguida desta primeira mostra, haverá outras três que também farão parte da apresentação da nova composição do acervo. Sendo uma no fim do ano, intitulada “A natureza das coisas”, outra em fevereiro de 2008, chamada “Olhar e ser visto” e para finalizar a nova organização do segundo andar, haverá, em abril, a exposição “Arte Religiosa- As obras-primas da arte do séc. XIV à contemporaneidade.”

Fonte: http://masp.uol.com.br/noticias/


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Pinacoteca apresenta mostra de Iran do Espírito Santo

A Pinacoteca do Estado apresentará, durante o mês de setembro até o dia 11 de novembro, a produção do artista brasileiro conhecido internacionalmente, Iran do Espirito Santo.  São aproximadamente 30 obras produzidas desde os anos 80 em que Iran expressa uma arte contemporânea bem ousada através da escultura, pintura, objeto e design.

Nascido em Mococa, no estado de São Paulo, Iran do Espírito Santo formou-se na Fundação Armando Álvares Penteado, em 1986 . Já teve suas obras expostas em vários lugares do mundo, dentre eles: Winnipeg, Nova York e Chicago, Roma e Cidade do México. Foi convidado para expor na Bienal de Veneza e Montreal, no entanto, não foi sua primeira bienal. Iran também tem passagem pela 49ª Bienal de Veneza, Istambul e São Paulo.

Foi após ter exposto obras no Museo d'Arte XXI Secolo, em Roma, e no Irish Museum of Modern Art, em Dublin, que Iran chegou em São Paulo para mostrar seu trabalho, sob a curadoria de Ivo Mesquita. em uma retrospectiva do que foi produzido durante quase 30 anos.

É a vez do público brasileiro apreciar a arte nacional a qual freqüentemente tem que viajar ao exterior para ser valorizada. Por isso, vale a pena fazer uma visita à Pinacoteca e ver de perto a mente extravagante de um artista que leva em sua arte uma intriga ao espectador.

Fonte: Folha de S. Paulo/ http://www.vitruvius.com.br/noticia/noticia_detalhe.asp?id=1107/ http://vejasaopaulo.abril.com.br/red/galerias_vejinha/iran/


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Exposição mostra rompimento com padrões tradicionais

O Instituto Tomie Ohtake terá em exposição até o dia 28 de outubro, uma mostra que tem como tema a arte desde os anos 60 e suas modificações. Desde que surgiu a arte contemporânea, as obras passaram a ser construídas a partir dos objetos mais inusitados, o que causou uma reviravolta no conceito de arte e no seu valor.

Outra característica que abrange algumas das obras é o teor politizado e contestador devido ao período de repressão política vivido na época. Um exemplo é a obra de Cildo Meireles: "Inserções em Circuitos Ideológicos 1 - Projeto Coca-Cola" feita com garrafas de refrigerante. Também é apontado o começo do uso de novas tecnologias como fotografia e vídeo, que ainda não eram comuns neste meio artístico.

São 200 obras e 40 vídeos de diversas personalidades, dentre os quais estão: Lygia Clark, Hélio Oiticica, Nelson Leirner, Waltércio Caldas e Regina Silveira. E algumas publicações de críticas dos próprios autores das obras, que também se referem a uma quebra no padrão tradicional no qual o artista sempre tem seu trabalho criticado.

A idéia que envolve a exposição é interessante para se conhecer melhor o trajeto que a arte tem tomado nos últimos tempos e também para refletir sobre o que a arte significa para cada um. A expressão encontrada nas obras deixa de ser subjetiva como no passado e passa a atingir o público de maneira que o faça pensar. A mostra, que tem como curadora Glória Ferreira, promete mostrar como os artistas contemporâneos conseguiram quebrar os limites antes impostos pela arte tradicional.

Fonte: Folha de S. Paulo/ Veja São Paulo/
http://uiadiario.blogspot.com/2007/09/arte-como-questo-anos-70-no-tomie.html


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Através dos olhos de Bob Wolfenson


A arte contemporânea trouxe consigo outras maneiras do artista se expressar, maneiras que envolvem tecnologia, o espectador e os mais diversos e estranhos objetos. Junto com essa parafernália toda, vem a arte fotográfica que retrata a realidade não tão fielmente como todos nós achamos. Na verdade, a fotografia representa a realidade de acordo com o olhar do fotógrafo.
     
Bob Wolfenson começou sua mostra no dia 11 de setembro revelando sua perspectiva, através da câmera, sobre o pólo industrial de Cubatão. A priori, não é um tema muito atrativo, nem cativante. Mas a maneira como ele absorve e retrata a visão das chaminés das fábricas soltando fumaça é o que dá o tom da exposição. Tudo isso para fazer um contraste da grande cidade com o litoral, a partir da paisagem encontrada no trajeto. Por isso, o nome da mostra “ A caminho do mar”.
    
A  galeria Millan (Rua Fradique Coutinho, 1.360), que hospedará a exposição até o dia 6 de outubro, apresenta sete imagens gigantes e oito grandes caixas luminosas de Bob Wolfenson. O artista já havia anteriormente feito um trabalho exposto na FAAP, em 2004. Nesta exposição ele apresentou fotografias gigantes de edifícios paulistanos.
   
Ao que aparenta, ele tem uma fascinação por grandeza e pelos moldes que representa a sociedade atual. Indústrias, prédios, ambição. Não tanto de uma forma crítica, mas de constatação artística do real. O que valoriza a arte é o diferencial que ela presencia e expõe. Essa mostra é uma representação exímia da essência do homem moderno.
   
Fonte: Folha de S. Paulo/ www.bobwolfenson.com.br

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Shopping Bags

Os rumos que o planeta tem tomado não são dos mais confiáveis, principalmente, em relação ao meio ambiente. Por isso a explosão da consciência ecológica de alguns leva a uma propalação dos meios para preservar o lugar em que vivemos. A arte, em algumas épocas como lazer, em outras como comércio ou contestação, agora parte para uma causa necessária a todos e foi essa a intenção da exposição “Eu não sou de plástico”.
 
O evento aconteceu dia 12 de setembro no Porão das Artes, no Prédio da Bienal. Foram 100 estilistas que apresentaram suas shopping bags, sacolas para compras, feitas de diferentes materiais, exceto o plástico. A razão disso é divulgar e incentivar o uso de sacolas não-descartáveis ou de materiais que precisem de menos tempo para se decompor, o que no caso do plástico, leva ao menos cem anos.
 
A exposição contou com a curadoria da jornalista e apresentadora de TV Lilian Pacce e a cobertura da RG Vogue. Uma iniciativa da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente da Prefeitura de São Paulo que pretende seguir com a campanha “Eu não sou de plástico”. O debate para encontrar uma forma de evitar o plástico está cada dia mais presente na mídia. Esperamos que o resultado seja satisfatório, se não para nós, pelos menos para o futuro.

Fonte: Folha de S. Paulo/
http://rgvogue.ig.com.br/moda/2007/09/11/plastic_free_999228.html
Onda de furtos de obras culturais


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Furtos Museu do Ipiranga

No mês de setembro, páginas inteiras de jornal tiveram publicações sobre os furtos que ocorreram no Museu do Ipiranga. A onda de roubos que anda ocorrendo no Brasil não é recente. O fato é que só agora a administração se deu conta do sumiço de peças que podem ter sido roubadas durante meses em uma ação sigilosa.

polícia está tentando investigar os casos, que não se restringem apenas ao Museu do Ipiranga. Obras culturais de todo o país são alvos de ladrões devido à precariedade do investimento na segurança. Isso se dá, principalmente, com aquelas que estão em museus e instituições públicas.

Com os roubos que têm acontecido, donos de antiquários e colecionadores particulares já passaram a investir em tecnologias como chip, sensores infra-vermelhos, cabos de alta-frequência e inúmeras maneiras de proteger suas obras. Também tem sido maior a preocupação na hora de comprá-las, procura-se ter certeza de que o produto não é roubado. Esta é uma das razões por que a arte sacra é evitada, pois ela é uma das mais roubadas no Brasil.

O mais chocante é que muitas obras estão sendo usadas para lavagem de dinheiro por pessoas que fingem tê-las herdado,  uma vez que o valor da peça é subjetivo. Apesar deste tipo de interesse nos roubos, o valor financeiro de algumas das obras não é tão alto. Para os curadores de museus que sofrem com os furtos, o real problema é a arte nacional que está sendo devastada de maneira inescrupulosa e o pouco que está sendo feito para impedir que isso aconteça.

O Brasil já chegou a quarto lugar no ranking mundial de roubos a obras culturais, só sendo ultrapassado pelos Estados Unidos, França e Iraque. A Argentina também anda sofrendo constantes furtos. Recentemente, peças  pertencentes a chefes de Estado desapareceram do museu localizado na Casa Rosada.

A polícia conta com a colaboração de pessoas que possam localizar as obras. No entanto, muitas delas não possuem foto para que sejam reconhecidas. Espera-se que seja feito maior investimento público na segurança de locais onde hajam obras culturais. E um alerta para evitar novos roubos deve ser espalhado pelo país.

Fonte: Estado de S. Paulo/ Folha de S. Paulo