Notícia

13- Outubro - 2009

Museu, uma visita inesquecível

Embaixador da Feambra, Caco Ciocler fala sobre museus

Embaixador da Feambra, Caco Ciocler, ator premiado de TV, cinema e teatro, fala da importância dos museus para a formação cultural do cidadão. Leia os principais trechos da entrevista concedida à Feambra:

Feambra: Você tem alguma história pessoal de visita a museu que tenha ficado na sua memória?

Caco Ciocler
: Olha, toda visita minha a um museu está guardada na minha memória. Guardo o gosto da sacralização que uma visita ao museu nos impõe, deliciosamente. E o gosto da dessacralização, dando lugar a uma espécie de liberdade respeitosa, excitante curiosidade silenciosa, quase infantil. Uma das histórias mais marcantes foi durante minha visita ao Museu do Louvre, em Paris. Lembro-me de percorrer aqueles corredores, completamente extasiado, quando percebi uma aglomeração. De repente, eu estava numa fila gigantesca, sendo arrastado pela multidão e sem poder voltar atrás. Fiquei um bom tempo sem saber o que me esperava naquela pequena sala lotada à minha frente, onde pipocavam flashes e empurrões. Só me restava esperar. Lembro-me de ter chegado ao fundo da sala uns vinte minutos depois. Não conseguia ver nada pela quantidade de braços levantados à minha frente, empunhando câmeras fotográficas de todas as nacionalidades, apontando-as para um pequeno quadro na parede oposta. Levantei minha filmadora e dei um zoom no quadro. A câmera demorou para encontrar o foco automático e foi através de seu pequeno monitor que vi surgir a 'Monalisa'. Era uma imagem familiar, claro, para todos os que estavam naquela sala. Mas confesso que meus olhos marejaram, assim como os de várias outras pessoas ali. Foi uma experiência quase religiosa, uma comunhão diante da concretude da história.

F.: Como acha que o museu pode contribuir para a cultura do povo brasileiro?
C.C.: Nesses nossos tempos cibernéticos, eu tenho a sensação de que a gente vem se distanciando cada vez mais da concretude das coisas. Ficção e realidade nunca estiveram tão embaralhadas. Esse limite vem sendo tema cada vez mais pesquisado por diversas áreas culturais. O museu nos devolve essa concretude. O museu nos devolve as pinceladas além do quadro, nos devolve o suor do artista. Nossa finitude. Proporciona nosso 'religare' com a raça humana e sua história.
Sendo um programa tão enriquecedor e extremamente econômico, torna-se um poderoso e possível alimento à alma do povo brasileiro, tão afastado do universo cultural mundial.

F.: Qual sua opinião sobre a importância de uma entidade como a Feambra?
C.C.: A Feambra chama para si a responsabilidade não só de ajudar a cuidar dos museus como de revitalizar o circuito de museus brasileiros, no sentido de aumentar o turismo cultural, para nós e para os turistas estrangeiros. Ela trabalha para que o brasileiro e os turistas estrangeiros incluam os museus no seu dia-a-dia, em suas viagens a negócios ou lazer, assim como fazemos quando vamos ao exterior. A Feambra trabalha para aproximar o cidadão dos museus.