Notícia

17- Dezembro - 2010

Feambra representa América

Camila Leoni Nascimento, diretora executiva da Feambra, representou o Brasil como porta-voz da América do Sul na Conferência Geral do Conselho Internacional de Museus (ICOM), em Xangai (China), em novembro.

A convite do presidente da Federação Mundial de Amigos de Museus (World Federation of Friends of Museums - WFFM), Daniel Ben-Natan, a diretora apresentou o tema 'Museu e Voluntariado na América do Sul'.

Confira a entrevista na íntegra:

Feambra: Como surgiu a oportunidade de participar da Conferência do ICOM?

Camila Nascimento: Em maio desse ano, o Conselho Internacional de Museus (International Council of Museums - ICOM) e a Federação Internacional dos Amigos de Museus (World Federation of Friends of Museums - WFFM) assinaram um contrato de parceria estratégica. Ficou acordado que o presidente da WFFM, Daniel Ben-Natan, iria organizar o fórum de abertura da Conferência, realizada em novembro, com o tema 'Museu e Voluntariado'. Ele convidou um representante da América do Norte, um da Europa e um da América do Sul para abordar o tema de acordo com as diferentes perspectivas. Eu fui convidada para representar a América do Sul, escrever um paper e fazer uma apresentação sobre o tema.

F: Qual é o papel do ICOM?

C.N.: O ICOM é a organização internacional dos museus e profissionais de museus que se dedica à conservação, preservação e comunicação à sociedade do patrimônio natural e cultural, tangível e intangível. Mantém relações formais com a Unesco e tem status consultivo junto ao Conselho Social e Econômico das Nações Unidas.

F: O que observou a respeito da imagem do Brasil no exterior?

C.N.: O Brasil não tem mais a imagem somente de samba, caipirinha e mulheres bonitas no exterior. A indústria cultural brasileira tem aparecido bastante lá fora, e um dos fatores que influenciou esta transformação foi o fortalecimento da nossa economia, assim como de segmentos como moda, decoração, cinema, entre outros. Não devemos deixar de citar também a expressividade que colecionadores e artistas brasileiros possuem internacionalmente.

F: A que você credita o convite à Federação Brasileira para representar o continente?

C.N.: A Feambra tem participado de todos os eventos da WFFM no exterior. Com isso, consegue mostrar parte de nossa cultura e abre portas para nossos museus. Cada vez mais a cidade de São Paulo, dentro deste contexto, é apresentada com grande pólo cultural do continente, o que aumenta a representatividade do Brasil neste setor.

O prestígio do País está tão em alta que a cidade do Rio de Janeiro foi confirmada como sede da próxima edição da conferência do ICOM, a ser realizada em 2013.

F: Quais foram os principais pontos expostos em sua apresentação?

C.N.: Levantamos alguns dados muito interessantes que podem nortear políticas públicas e ações dos museus relativas ao voluntariado. Por exemplo, detectamos que, na América do Sul, o voluntariado ainda é muito associado ao assistencialismo, à saúde e à educação. Segundo pesquisa da ONU, o número de voluntários no Brasil passou de 22 milhões para 42 milhões após o Ano Internacional do Voluntário, em 2001, sendo a maioria absoluta de mulheres. Em nosso País, a idade dos voluntários gira em torno de 25 a 34 anos, seguida dos mais jovens, de 18 a 24 anos.

 

F: Como fazer para aumentar este número de voluntários?

C.N.: Há iniciativas importantes nessa direção. Em janeiro de 2008, o Ministério da Cultura, por meio do DEMU, firmou Termos de Cooperação com o Ministério da Previdência, com o objetivo de implantar e desenvolver o programa de voluntariado de idosos em museus brasileiros. No intuito de expandir as possibilidades de atuação de voluntários de todas as idades, o DEMU apresenta e oferece, em parceria com o Centro de Voluntariado de São Paulo, a Oficina de Gestão de Programas de Voluntariado em Museus.

 

F: A que conclusões podemos chegar a respeito do cenário atual no Brasil?

C.N.: Museus são o 13º setor mais procurado para trabalhos voluntários, segundo pesquisa de 2007. O primeiro é a ajuda à criança. Apesar do cenário positivo, ainda é preciso fortalecer o voluntariado neste segmento, para que cada vez um número maior de empresas se sinta confortável para investir e participar de trabalhos relacionados à arte. No Brasil, a maior parte dos investimentos feitos por empresas do setor privado está concentrada naquelas três áreas citadas - assistencialismo, saúde e educação. Somente 0,02% desses investimentos são voltados para os museus. Devemos trabalhar para aumentar este número.