Notícia

01- Março - 2011

Voluntários e museus: muito a fazer

Há um grande espaço para o trabalho voluntário nos museus brasileiros e na área cultural, em geral. Para abrir caminho para novas iniciativas referentes à participação nas construção de uma sociedade mais justa e solidária, a Feambra conversou com a biomédica Silvia Maria Louzã Naccache, coordenadora do Centro de Voluntariado de São Paulo desde 2003. Confira os principais trechos da entrevista:


Feambra: Conte um pouco do trabalho do Centro de Voluntariado de São Paulo.

Silvia Naccache: O Centro de Voluntariado de São Paulo (CVSP) é uma organização social sem fins lucrativos, criada em 6 de maio de 1997, a partir de uma iniciativa da sociedade civil  que identificou, por meio de pesquisas, o enorme potencial de mobilização social da cidade de São Paulo. O CVSP é uma organização comprometida com a capacitação de pessoas, organizações sociais, empresas, escolas e demais segmentos interessados em voluntariado. Desde sua fundação, desenvolve conteúdo e orienta talentos e potencialidades dos que desejam se engajar, com responsabilidade, tendo em vista a construção de uma sociedade mais justa e solidária.  Para pessoas interessadas em desenvolver algum tipo de trabalho voluntário, o CVSP oferece uma palestra gratuita de orientação inicial, com duração de duas horas, onde os temas abordados são relacionados ao trabalho voluntário responsável e participativo. Ao final são distribuídos certificados de participação a todos. Para organizações sociais que desenvolvem ou queiram desenvolver programas de voluntariado organizado, o CVSP ministra um curso de 'Gestão do Programa de Voluntariado em Organizações Sociais', que apresenta e estimula técnicas para coordenação de grupos voluntários e projetos sociais. Hoje, o Centro reúne mais de 700 organizações sociais que recebem voluntários, muitos deles após participarem de nossas palestras. Além disso, mensalmente são realizados encontros temáticos que proporcionam a troca de experiências entre as organizações sociais. Para empresas o CVSP oferece orientação para a implementação e/ou reestruturação de programas de voluntariado, estimulando funcionários para a causa do voluntariado e mantém um grupo de estudos de Voluntariado Empresarial, com reuniões bimestrais para troca de experiências e aprendizado. Para a formação de Novos Centros de Voluntariado o CVSP estimula, orienta e trabalha na capacitação de pessoas e organizações que os queiram implantar em suas cidades, formando uma rede em todo o Brasil de Centros de Voluntariado.  Para escolas e universidades realiza palestras e apóia programas de voluntariado educativo e criativo.

 

F.: Quem pode ser um voluntário? Quais as principais requisitos? Conte um pouco da importância do trabalho voluntário.

S. N.: O trabalho voluntário é uma união de esforços de pessoas que enxergam a vida diferente e que se propõem a minimizar as dificuldades do outro, muitas vezes tão distantes de seu próprio entendimento e convívio. Todos juntos na construção de uma sociedade mais justa e solidária, de um mundo melhor para todos nós hoje e para as gerações futuras. Todos podem ser voluntários, mas existem algumas questões para refletir antes de se iniciar um trabalho voluntário. O voluntariado é uma escolha pessoal, individual e é importante o voluntário saber o que gostaria de fazer, o que tem de melhor para oferecer e o que acredita que faria diferença. Os valores têm que ser coerentes com os valores da organização social escolhida. Cada voluntário deve pensar quais as habilidades ou talentos que tem de melhor e que deseja compartilhar, e também deve avaliar se pode cumprir o tempo de acordo com sua disponibilidade e com muito comprometimento, respeito e empatia. É responsabilidade do voluntário a escolha da área de atuação, do local da atividade e ainda do público com que o qual o ele deseja atuar. Se pretende realizar ações individuais ou juntar-se a grupos comunitários, participar de grupo que dê apoio a alguma necessidade específica da comunidade, ou ainda identificar alguma necessidade e formar um grupo de voluntários para buscar uma solução. O voluntário deve refletir se gostaria de engajar-se em algum dos projetos de melhoria da cidade, procurar alguma escola ou uma organização social e hoje seu trabalho na organização pode ser presencial ou até mesmo à distancia (por meio da internet, telefone ou cartas, por exemplo ).

 

F.: Qual o perfil do voluntário hoje no Brasil? Quais os setores mais procurados por quem quer fazer trabalho voluntário? Como é o trabalho voluntário em relação a museus no mundo? E no Brasil? Em que eles podem ajudar? Podemos citar alguns pontos positivos e negativos (principais obstáculos, por exemplo) nessa relação?Quem procura a área cultural para oferecer trabalho voluntário?

S. N.: Temos dados apenas das pessoas que passaram pelo CVSP, mais de 125 mil foram orientadas em voluntariado e temos, hoje, em nosso cadastro, mais de 1.000 organizações sociais oferecendo oportunidades de ação voluntária na cidade de São Paulo e grande São Paulo.

No voluntariado a pessoa escolhe as qualificações e as habilidades que deseja compartilhar e usar em sua ação voluntária. Existem, no entanto, alguns talentos que devem estar presentes em qualquer ação escolhida: acreditar na causa, projeto ou organização na qual for atuar, comprometimento, responsabilidade, dinamismo e alegria naquilo que está realizando. Talvez essa seja a principal característica do voluntário do século 21! Essa consciência de que ser voluntário é uma maneira inteligente de fazer bem a si próprio e para o outro e com isso para o planeta! É abertura para novas experiências, oportunidades de aprendizado e sentir prazer em ser útil.

Apesar de um grande número de possibilidades de ações voluntárias na área cultural, como oficinas de musica, teatro, coral, artes, artesanato, instrumentos musicais etc, o voluntariado em museus ainda é uma área nova. O importante é escolher uma atividade que traga satisfação e que, utilizando suas aptidões e conhecimentos, com comprometimento, amplie e fortaleça os serviços oferecidos pelos museus, otimize os recursos humanos e financeiros e, ainda, aproxime os museus da comunidade.

 

F.: Como fazer para aumentar o número de voluntários?

S. N.: Uma gestão eficiente dos voluntários é um dos passos importantes para que os voluntários permaneçam. É fundamental a clareza das funções e noções dos direitos e deveres de cada um.