Notícia

14- Outubro - 2011

Curadora fala do V Encontro de Palácios e de sustentabilidade

Já estão abertas as inscrições para o V Encontro Brasileiro de Palácios, Museus-Casas e Casas Históricas, em São Paulo-SP (www.acervo.sp.gov.br). O evento, que conta com o apoio da Feambra, será realizado entre os dias 16 e 18 de novembro e terá como tema 'Preservar para o Futuro - Sustentabilidade nos Palácios, Museus-Casas e Casas Históricas'. Para saber mais sobre o V Encontro, a Feambra ouviu com exclusividade a Presidente do Conselho Consultivo e Curadora do Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo, Ana Cristina Barreto de Carvalho. Confira os principais trechos da entrevista:

F.: Como será trabalhado o tema da sustentabilidade?
A.C.B.C.: Este tema é multidisciplinar, com toda a programação associada a esta ideia, com uma abordagem interessante para várias disciplinas. No caso de museus, se pensa em práticas sustentáveis, atrativas para públicos numerosos. Em um mundo que muda a cada minuto, vemos a necessidade de pensar o conceito também para museus. Não só da sustentabilidade econômica, financeira, ambiental, mas também social. O tema do Dia Internacional dos Museus de 2012 também tratará da responsabilidade social dos museus e a sustentabilidade deverá ser tema da Conferência Geral do ICOM a ser realizado no Rio de Janeiro em 2013.

F.: Neste contexto, qual é a relevância das Associações de Amigos?
A.C.B.C.: As Associações de Amigos são importantíssimas na formação de opinião. A Feambra tem um papel importante na construção de conhecimento sobre a formação de público, a importância da visitação ao museu, a formação de valor do bem patrimonial. Não atua só na busca de apoio e de patrocínios, mas desempenha um papel educativo patrimonial. Todo museu deve ter uma Associação de Amigos. Até do ponto de vista de gestão, as Associações de Amigos têm papel importante, também na pesquisa, apontando e sinalizando parceiros. Estes formadores de opinião, como os Amigos, formam valores culturais.

F.: E a preservação para o futuro?
A.C.B.C.: Existia um preconceito em relação ao turismo cultural. Hoje há um entendimento de manter uma programação consistente, porque os cofres públicos estão se esgotando. Há a necessidade de realizar as parcerias público-privadas, de fazer pesquisas para aproximar o museu da sociedade, de analisar as possibilidades de os locais encontrarem suas vocações. Precisamos pensar ações que garantam permanência, para que os museus continuem atrações locais. Por exemplo, quando pensamos nas fazendas históricas, temos de discutir como os herdeiros podem manter estes espaços. Apesar de serem patrimônio privado, são importantes marcos históricos também. 

F.: Nesta 5ª. edição do evento, o que mudou?
A.C.B.C.: Ele já é uma tradição e mudamos sua concepção desde o evento do ano passado. Estabelecemos um roteiro de visitas (este ano há visitas ao centro de São Paulo, a fazendas em Itu - SP, entre outros), e a experiência mostra que é muito mais dinâmico e interessante fazer discussões nos próprios espaços do que ficar três dias fechados em um mesmo espaço.

F.: O que poderia nos antecipar da ampla programação?
A.C.B.C.: Faremos visitas a fazendas em Itu, com a oportunidade de ouvir representantes de diversas entidades, como o Condephaat/SP, órgão responsável pelo tombamento, e a Associação de Fazendas Históricas de São Paulo. No evento, teremos palestrantes do Brasil e do exterior. Os de fora falarão sobre o planejamento estratégico e o caminho de sustentabilidade encontrado por seus museus. Os brasileiros poderão compartilhar com o público importantes experiências neste campo. O Museu da República, por exemplo, desenvolve um projeto social que forma jardineiros. Inhotim, em Minas Gerais, também tem uma atuação com impacto na sociedade local. É importante ter uma percepção holística de sustentabilidade, quando as pessoas se apropriam do museu local, têm interesse e passam isso para as próximas gerações. Temos de encontrar recursos que garantam a permanência do interesse das pessoas que frequentam o museu.