Notícia

26- Março - 2012

Estação Ciência utiliza interatividade e tecnologia para gerar interesse pelas descobertas

Estação Ciência utiliza interatividade e tecnologia para gerar interesse pelas descobertas

Com 400 mil visitas por ano, a Estação Ciência da USP, associada da Feambra, oferece exposições e atividades interativas que despertam no visitante o interesse pela educação. Para conhecer melhor este importante e dinâmico polo de aprendizado, conversamos com o assistente técnico de direção, Michel Sitnik. Confira a entrevista e marque em sua agenda uma visita à Estação.

1.      Qual é a importância de um museu de ciências para a região em que se encontra?

Os museus de ciências têm um potencial transformador muito grande, inclusive de médio e longo prazo, na medida em que sensibilizam crianças e adolescentes para o interesse pela ciência e pelas carreiras científicas, de modo que possamos ter no futuro mais ciência, tecnologia e inovação produzidos localmente, por brasileiros.  Além disso, mesmo aqueles que não necessariamente seguirem por uma carreira cientifica, no sentido mais tradicional da palavra, também podem tornar-se pessoas mais observadoras, curiosas e críticas, sendo assim melhores profissionais e cidadãos. 

2.      Quais os principais objetivos da Estação Ciência?

Despertar o interesse pela ciência e pela tecnologia, mostrando que a ciência está presente no nosso dia a dia, e não são apenas fórmulas abstratas como muita gente pensa. Nosso corpo, um carro, um trem, o jogo de futebol, a televisão.... tudo é ciência e tecnologia! A ideia é que as pessoas observem tudo isso com esse olhar mais curioso e percebam que tudo tem um porquê e que todas as pessoas podem vir a entender isso melhor e até mesmo criar as próximas inovações. Queremos mostrar a ciência feita aqui, por pessoas normais, e que cientistas não são necessariamente aquelas pessoas malucas.  

3.      Sabemos que muitas crianças visitam o museu. São o principal público alvo?

Não apenas as crianças, e sim todas as pessoas. É maravilhoso quando vemos as famílias visitando, pois pais que trouxeram seus filhos acabam eles próprios redescobrindo várias coisas, lembrando coisas que esqueceram ou aprendendo coisas novas. Não há limites!

4.      Quais são as atividades oferecidas?

A estrutura básica é o espaço expositivo, com mostras permanentes e temporárias sobre diversos temas. Porém também participamos de eventos, inclusive levando exposições itinerantes. E temos constantemente oficinas, treinamentos, palestras e outros eventos, que vão sendo oferecidos para diversos públicos ao longo do ano. Neste ano de 2012, por exemplo, já tivemos em janeiro e fevereiro um show musical de divulgação da cultura indiana e também um ciclo de cinco workshops com uma professora internacional para treinamento de professores, abordando o uso da tecnologia 3D no ensino de biologia.  

5.      Como a Estação Ciência contribui para incutir nas crianças, ou no público em geral, o gosto pelas ciências, pelas descobertas?

O grande desafio é produzir exposições e eventos que gerem esse interesse, e para isso são utilizadas estratégias como a interatividade e recursos tecnológicos atuais, sem contar linguagens que se aproximem do interesse do público, como os games, por exemplo.  

6.      Conte-nos um pouco sobre a estrutura da Estação, as instalações, os equipamentos oferecidos aos visitantes.

A Estação Ciência era um sonho antigo da comunidade científica e seu nascimento também veio ao encontro de um outro anseio, da comunidade da Lapa e de arquitetos que lutavam pela preservação do prédio histórico no qual a Estação Ciência está instalada. Em 1987 foi inaugurada pelo CNPq e três anos depois passou a ser administrada pela Universidade de São Paulo, como permanece até hoje, como um dos órgãos da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária. No prédio há uma grande área principal com as exposições permanentes - que, apesar do nome, também têm renovações constantes. Há um mezanino e mais uma área no saguão de entrada reservados às exposições temporárias. Também há um planetário inflável e os simuladores de tsunami e de terremoto. Ainda neste primeiro semestre será inaugurada uma Sala de Cinema 3D. Para eventos e cursos, há um auditório com 200 lugares, uma sala multiuso, um laboratório de microscopia com 20 equipamentos, uma sala multimídia com 48 notebooks e lousa eletrônica, estrutura de videoconferências e, por fim, área de lanchonete com um deck e mesas ao ar livre. 

7.      Existe uma interação entre os museus de ciências do Brasil e os do exterior? Como é feita? E com entidades de ensino?

Com a atuação existe uma afinidade natural entre essas instituições, o que se reforça em eventos, congressos e encontros em geral, além de instituições que agregam vários museus, tais como a ABCMC (Associação de Centros e Museus de Ciências), RedPop (no âmbito da América Latina) e SBPC.  

8.      Quais os projetos para 2012/2013?

No momento estão sendo feitos os preparativos finais de três exposições: Matemática & Música, Sala 3D e Small World. Todas elas serão de grande impacto e terão caráter mais permanente. Também receberemos em 2012 uma grande exposição temporária abordando o tema da saúde e qualidade de vida. Ao mesmo tempo, há um grande foco nesse momento para a questão estrutural, com o início agora em 2012 de obras importantes em termos de segurança, conforto e preservação de patrimônio, já iniciadas, como a substituição do muro de arrimo, reformas de calçadas, instalação de tanques de reuso de água pluvial, restauro do telhado, recuperação da torre, recuperação da fachada, troca da iluminação interna etc. 

9.      Como começar um museu de ciências?

Os caminhos são os mais diversos, desde a iniciativa privada até as opções dentro da estrutura pública. No caso da Estação Ciência o início foi viabilizado por um órgão nacional (CNPq), mas hoje em dia é mantida pela estrutura da própria Universidade de São Paulo em conjunto com parcerias importantes como a que mantemos com a Petrobras e com a Fundação O Boticário. No Brasil e no mundo há inúmeros modelos de criação e manutenção de centros como esse. 

Estação Ciência da USP
Endereço: Rua Guaicurus, 1394 - Lapa - São Paulo
Site: www.eciencia.usp.br