Notícia

27- Abril- 2012

Curadora do Palácio discursa para delegação da WFFM

A Curadora do Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo, Ana Cristina Carvalho, recebeu a delegação da Federação Mundial de Amigos de Museus (WFFM) para a Assembleia Geral que encerrou o evento mundial de Amigos de Museus, realizado pela Feambra, de 12 a 15 de abril passado. Confira seu discurso de boas-vindas:

Bom dia a todos.

É uma honra e uma grande alegria para nós, da Curadoria do Acervo Artístico Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo, receber os membros da Federação Mundial de Amigos de Museus, incluindo as Federações Nacionais e Associações aqui representadas, especialmente a Federação de Amigos de Museus do Brasil (FEAMBRA).

A oportunidade desta parceria entre a FEAMBRA e a Curadoria do Acervo dos Palácios do Governo vem ao encontro da nossa concepção de preservação do patrimônio histórico e artístico, que tem como uma das formas fundamentais para garantir a salvaguarda e o uso dos nossos bens patrimoniais museológicos, estimular e  compartilhar  as responsabilidades comuns com todas as pessoas sensíveis aos interesses dos museus, por meio do trabalho em rede.  Não tenho dúvida de que a soma de esforços para apoiar a gestão e a atualização dos museus faz a diferença em um período tão fragmentado e ao mesmo tempo globalizado e competitivo como o que estamos vivendo. Tempo esse em que toda a herança histórica e artística musealizada, em todo o mundo, é muito maior do que os recursos que temos para valorizar e conservar.

Por isso eu diria que é de importância vital nos dias de hoje o papel de inventividade de Instituições parceiras, voluntários e membros das Federações e Associações de Amigos, em sua capacidade de encontrar mecanismos de ajuda para resolver as dificuldades internas dos museus. Seja patrimônio público ou privado de interesse público, não se consegue  gerir com eficácia um museu, isoladamente, sem o compartilhamento de compromissos.

No caso de São Paulo, uma das mais populosas cidades do mundo, uma cidade dinâmica, cultural, complexa e ansiosa, nada melhor do que um museu para refugiar-se e descobrir as distintas realidades culturais, as marcas da cidade, antigos e novos rostos. O Estado de São Paulo possui mais de 400 museus e dentre esses, 152 museus estão localizados na cidade de São Paulo, um número bastante generoso, se considerarmos outras cidades brasileiras e mesmo cidades da Europa e dos Estados Unidos. 

Os palácios do Governo de São Paulo integram esse total de museus. Compreendem atualmente o Palácio dos Bandeirantes, onde estamos, e o Palácio Boa Vista, em Campos do Jordão -cidade serrana a190 km de São Paulo-, são espaços que abrigam coleções de pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, mobiliário artístico e objetos, mas exercem múltipla função: a de residências do governador, sede do poder administrativo do Estado, no caso do Bandeirantes, e museus abertos gratuitamente ao público, com uma visitação expressiva, de público escolar e espontâneo, principalmente o Boa Vista em Campos do Jordão, que tem até 600 pessoas por dia nos finais de semana. Além desses dois há ainda o Palácio do Horto, aqui na cidade, dentro de uma das maiores florestas urbanas do mundo, que atualmente não é mais casa do governador,  e exerce somente a função de museu, onde estão também algumas peças que integram as coleções do acervo dos palácios.

A diversidade de acervos, não só dos palácios do Governo, mas também dos museus paulistas  representa a história do Brasil e especialmente a de São Paulo, evidenciando, por meio das coleções, os períodos ligados aos principais ciclos  econômicos brasileiros. Desde o da cana de açúcar, no Brasil colonial  dos séculos XVI e XVII, com um valioso patrimônio histórico arquitetônico mais concentrado nas regiões norte e nordeste do Brasil, até coleções provenientes do ciclo do ouro, do século XVIII, também mais presentes nas regiões das minas gerais no centro do país, o acervo do período imperial brasileiro, mais concentrado no Rio de Janeiro que era a capital da república no século XIX, e o ciclo do café no inicio  do XX, quando São Paulo enriquece e patrocina a  Arte Moderna Brasileira.

Assim, a gestão desse acervo de 3500 peças vem tendo como prática a formulação de políticas que apresentem as coleções de modo que todos os cidadãos, não só brasileiros e paulistas, mas cidadãos do mundo, possam conhecer e apreciar esse patrimônio público. Mas para atingir os objetivos de divulgação e valorização é muito comum os convênios de cooperação no âmbito nacional e internacional e as parcerias com a sociedade civil que potencializam o nosso trabalho.  Sem elas não poderíamos multiplicar as luzes dessas expressivas peças das coleções, entre as quais, algumas das mais importantes obras de arte moderna brasileira. É o caso, por exemplo, da exposição que vamos ver hoje aqui no Bandeirantes 90 anos depois: a semana de arte moderna, que tem a contribuição da Associação Brasileira de Críticos de Arte.

            Obrigada pela presença e aproveitem a visita ao Palácio dos Bandeirantes.