Notícia

15- Agosto - 2013

Conferência DEMHIST/ICOM e voluntariado

Eduardo Subirats, filósofo espanhol e radicado nos Estados Unidos, fala sobre a Conferência do DEMHIST no Brasil e outros temas

 

Durante o mês de agosto, o Brasil receberá a Conferência do DEMHIST/ICOM, organizado pelo Comitê Internacional para os Museus de Casas Históricas (DEMHIST). Com o tema “Lugares de reflexão: museus como conectores de culturas, tempos, pessoas e grupos sociais”, o evento será realizado nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.
 
Em grande estilo, Eduardo Subirats, o conferencista de aberta do evento, conversou com a Feambra a respeito de temas contemporâneos relacionados aos museus e cultura em geral. Além disso, também falou sobre a sua participação na Conferência do DEMHIST/ICOM e comentou a respeito da atuação as associações de amigos de museus no cenário atual. Veja a entrevista: 
 
 

Feambra: O convite para fazer a conferência de abertura foi feito considerando a sua peculiar capacidade critica e ideológica sobre o universo dos museus e o panorama contemporâneo. Para debater os temas propostos no Encontro do DEMHIST/ICOM, quais os assuntos relevantes que você pretende discutir que possam estimular mudanças nos museus hoje? 
 

Eduardo Subirats: Minha apresentação resume a história dos museus desde o Mouseion de Alexandria até os contemporâneos megacentros da cultura como espetáculo. Aponto aqui alguns exemplos importantes: o Museu do Vaticano ou o British Museum são mostruários de troféus da expansão militar e econômica do Ocidente, o MoMA, em Nova York, é uma instância reguladora, uniformizadora e colonizadora do gosto estético universal, e o Museu Universal de Dubai é um container de uma cultura administrada para um turismo cultural massivo.

Diante desse panorama, saliento a importância programática da museografia, realizada pela arquiteta brasileira Lina Bo. Não entrarei em detalhes. Somente quero apresentar seu caráter reflexivo, não subordinado ou provincial, e seu humanismo.

Considero importante esse panorama histórico amplo como ponto de partida para a reflexão de uma práxis museográfica reflexiva.

Falando sobre museus-casa que, de certa forma, constituem um gênero próprio, salientarei apenas um aspecto relevante: esses centros deveriam ter a capacidade de entrar em contato com grupos intelectuais jovens e ativos que possam utilizar seus espaços como verdadeiros locais de inspiração. Vocês sabem, as musas.


F.: O que você achou da escolha do tema geral e dos programas de São Paulo e do Rio de Janeiro?

E.S.: O tema geral me parece essencial em uma “civilização brasileira” que quer se transformar por meio de perspectiva reflexiva, não comercial nem subordinada. Estou completamente convencido de que as visitas guiadas aos museus, seguidas das reuniões serão uma maravilhosa inesquecível.

 
Clique aqui e confira a matéria de Eduardo Subirats em seu idioma original.