Notícia

16- Setetembro - 2013

Os maiores aliados dos Museus são os Amigos e Voluntários

  

O Brasil vive uma fase de grandes eventos e não somente na área esportiva. Há alguns dias, o País foi sede da Conferência do Conselho Internacional de Museus ICOM Rio 2013, com o tema 'Museus (memória + criatividade) = mudança social'. Para nós da Federação de Amigos de Museus do Brasil (Feambra), uma boa oportunidade para demonstrar os riscos e as consequências para quem não considera a importância que as associações de amigos e voluntários trazem para os museus. 
 
Do tema tiramos a frase 'É a memória ativada pela criatividade no ambiente do museu que repercute na sociedade e promove mudança social' e, quando presenciamos a participação do povo brasileiro de todas as classes sociais, idade, gêneros indo às ruas pedindo mudanças em todas as instituições, acreditamos que existe um ambiente propicio para a  participação dos voluntários nos museus do Brasil na condição de Amigos de Museus.
 
O número de voluntários no Brasil tem aumentado significativamente na última década.  Estudo realizado pela organização britânica Charities Aid Foundation - CAF, o 'World Giving Index 2012 - A global view of giving trends' mostra que o Brasil, embora ocupe apenas a 83ª posição no ranking dos países mais generosos em doações (liderado pela Austrália), está entre os dez países com o maior número de voluntários - cerca de 18 milhões. Até o inicio de 2000, o numero de voluntários no Brasil não passava de 2 milhões de pessoas.
 
O 'World Giving Index 2012 - A global view of giving trends' é  maior estudo sobre comportamento de caridade em todo o mundo envolvendo 160 países no total. O índice é baseado na percentagem de pessoas que doam dinheiro para caridade, doam seu tempo e ajudam um desconhecido.
 
Outra pesquisa demonstra claramente a disposição do brasileiro para o trabalho voluntário. Foi realizada pelo IBOPE, em junho de 2011, e pela Rede Brasil Voluntário (disponível em seu site) com objetivo de quantificar e qualificar a proporção de brasileiros que se dedica ao voluntariado. Foram realizadas 1.550 entrevistas com homens e mulheres acima de 16 anos que fazem serviços voluntários, das classes sociais A,B,C,D,E, em oito cidades brasileiras (São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre, Manaus, Curitiba, Salvador e Fortaleza). 
 
A pesquisa mostra que 25% da população brasileira acima de 16 anos fez ou faz serviço voluntário, sendo que a maioria (53%) é do sexo feminino, 43% pertence à classe C e 40%, às classes A/B.  As classes sociais D/E representam os 17% restantes. O serviço voluntário é destinado ao público em geral em 41% das vezes, e, para crianças e adolescentes, em 39% das vezes. Idosos têm a atenção de apenas 13% dos serviços prestados. 
 
Também aparecem como principal atividade dos voluntários pesquisados os jovens, com 18%,  os adultos, com 16%, as famílias, com 12%, e os moradores de rua, com 5%.
 
Entre as razões pelas quais o entrevistado realiza o trabalho voluntário, destaque para a intenção de ser solidário com 67%, seguido da vontade de ajudar os outros, com 32%, fazer a diferença e melhorar o mundo, com 22% e, por motivações religiosas e dever de cidadania, ambos com 17%. Importante a informação de que 77% dos voluntários entrevistados estão totalmente satisfeitos com o serviço realizado e 87% estão totalmente motivados em continuar fazendo o serviço voluntário.
 
Outras fontes, como do 'Portal Carreira e Sucesso' em sua pesquisa 'O voluntário empresarial e seus benefícios' apontam que empresas que desenvolvem profissionalmente os voluntários constroem uma imagem positiva perante o mercado, participam da construção de uma sociedade mais justa e que seus programas para desenvolver as comunidades próximas às suas empresas têm no voluntariado quase 30% das atividades realizadas.
 
O que a Feambra tem realizado nestes últimos anos  é incentivar os  voluntários para colaborar COM os Museus e não trabalhar PARA os museus. Entendemos que os museus têm sua politica de administração de pessoal determinada e de sua própria responsabilidade.
 
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU)  voluntário é o jovem, adulto ou idoso que, devido a seu interesse pessoal e seu espírito cívico, dedica parte de seu tempo, sem remuneração, a diversas formas de bem-estar social ou em outras áreas. O voluntário traz benefícios para a sociedade em geral como para o indivíduo que realiza tarefas voluntárias.
 
Baseado nestes conceitos, a  Federação Mundial de Amigos de Museus (World Federation of Friends of Museums - WFFM) foi constituída na Bélgica, em 1975, e reúne um numero crescente de amigos e voluntários de todo o mundo, que entendem a importância de combinar seus esforços na conservação do patrimônio cultural da humanidade. Está presente em 18 federações nacionais e 17 associações em 36 países diferentes.
 
A Feambra realizou uma pesquisa com seu mailing de cerca 1500 museus (o Brasil tem 3025 museus, segundo o Instituto Brasileiro de Museus - IBRAM)  que apontou que 75% dos museus pesquisados não têm associação de amigos e que 73% dos museus não têm verba para investimentos em programas de capacitação ou para promover cursos de curta duração.
 
Detectamos que existe a oportunidade de despertar nos voluntários a importância de prestar serviços em museus e suas associações de amigos. É também o momento de estimular os museus a mostrar sua intenção de receber voluntários e, com isto, se aproximar da população de sua cidade, especialmente do seu entorno. 
 
Há uma pré-disposição do brasileiro em fazer trabalhos voluntários, estimulados pelas próprias experiências e exemplos dos grandes eventos esportivos, musicais, culturais e de negócios que acontecem no Brasil.
 
Podemos concluir que existe mão-de-obra, motivação e satisfação com o trabalho, os museus estão prontos para se aproximar da comunidade e as redes sociais se tornaram um poderoso veiculo de divulgação. 
 
Portanto, o que falta é a convergência de atividades para fazer com que os voluntários trabalhem COM os museus.