Notícia

04- Março - 2015

Museu Afro Brasil aborda cultura e influência africana

A Feambra teve a honra de conversar com o pessoal do Afro Brasil, que falou sobre curiosidades do museu e convidou todos para conhecerem mais sobre a história do Brasil. Veja:


1. Em que momento surgiu o museu Afro Brasil? 

O Museu Afro Brasil foi fundado em 23 de outubro de 2004, pelo artista plástico Emanoel Araújo, a partir da doação de uma coleção particular sua. Emanoel já havia tentado viabilizar a criação de uma instituição voltada ao estudo das contribuições africanas à cultura nacional. Em 2004, apresentou uma proposta museológica à então prefeita de São Paulo, Marta Suplicy. Encampada a ideia pelo poder público municipal, iniciou-se o projeto de implementação do museu. Foram utilizados recursos advindos da Petrobrás e do Ministério da Cultura, pela Lei Rouanet.


2. O museu é um importante espaço da reflexão sobre a arte e a cultura afro-brasileira. Quais são suas principais características e destaques?

O Museu Afro Brasil destaca a perspectiva africana na formação do patrimônio, identidade e cultura brasileira, celebrando memória, história, arte brasileira e afro-brasileira. O acervo aborda temas como religião, trabalho, arte, escravidão, entre outros que registram a trajetória histórica e as influências africanas na construção da sociedade brasileira.


3. Como o museu se organiza? 

O museu exibe parte do seu acervo na Exposição de Longa Duração e realiza Exposições Temporárias durante o ano (às vezes com parte do seu acervo, outras com acervo de terceiros). Um recorte dessas exposições também circula no Estado de São Paulo, em uma média de quatro exposições itinerantes por ano. O museu dispõe de um auditório e de uma biblioteca especializada que complementam sua programação cultural.


4. O museu é dividido em quantos núcleos? Quais são os assuntos de cada um deles?

O acervo exposto na Exposição de Longa Duração, no 1º andar do Pavilhão Padre Manuel da Nóbrega, no Parque Ibirapuera, está dividido em seis núcleos. No link a seguir há uma pequena descrição de cada um deles http://www.museuafrobrasil.org.br/programacao-cultural/exposicoes/longa-duracao.


5. O visitante possui facilidade para compreender as relações entre os núcleos?

Sim, principalmente quando visita o acervo acompanhado de um educador (a visita monitorada pode ser previamente agendada por e-mail). Em uma visita autônoma, o audioguia – QRCodes pode ser acessado pelo app do Museu Afro Brasil, para interação em cada um dos núcleos.


6. A coleção do museu apresenta quantas obras?

O museu conserva um acervo com mais de seis mil obras, entre pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, documentos e peças etnológicas, de autores brasileiros e estrangeiros, produzidos entre o século XVIII e os dias de hoje.


7. A arte popular permeia todo o acervo?

A arte popular é abordada principalmente pelo núcleo Sagrado e Profano, transitando um pouco pelo núcleo Religiosidade e também pelo núcleo de Artes Plásticas.


8. Pode nos contar sobre os projetos inéditos do museu?

Em 2014, o museu iniciou uma série de transformações institucionais, aliando-se mais à tecnologia, com o lançamento de aplicativos, disponíveis para iphone e Android. A ferramenta de audioguia possibilita o acesso a conteúdos exclusivos em exposições temporárias, acessibilidade comunicacional, com audiodescrições para visitantes cegos e audioguia no acervo.

Outra inovação foi a disponibilização de venda de ingressos online, no site, no app, Facebook do museu e nos aplicativos parceiros, como o CoolTours.

Recentemente firmamos uma parceria com o Google Cultural Institute para disponibilização de exposições temporárias e, em breve, o museu poderá ser visitado virtualmente, pelo Street View.

A exposição temporária “Arte, Adorno, Design e Tecnologia no tempo da Escravidão”, que está em cartaz desde 20 de novembro de 2012, foi uma das temporárias de maior sucesso. Cenário de novela (Sangue Bom, da Rede Globo, em 2013) e de diversas matérias televisivas. Para os próximos meses, algumas surpresas são reservadas ao público, que se encantou com a riqueza dessa mostra (em exibição até o final de março) e serviu de inspiração para novidades no mundo da moda. 


9. Qual seria uma característica do museu que não há igual no mundo?

O museu foi definido pelo seu curador, Emanoel Araújo, como uma reunião de história, memória e artes. Retrata as origens e recupera o diálogo negro na diáspora, nas ciências e no campo popular ou erudito. Sobretudo, o Museu Afro Brasil quer ser contemporâneo e registrar a história da formação da identidade da civilização brasileira, a partir de uma perspectiva específica que representa o ponto de vista do negro.


10. Apresentar arte popular e acadêmica a partir dos mesmos patamares pode ser considerado um diferencial do museu?

A relação entre o acadêmico e o popular transcende ao museu. A convivência entre o erudito e o popular pode ser entendida como um dos diferenciais do museu.


11. O projeto já foi replicado em algum lugar no mundo?

Não.


12. Com que frequência são agendados programas escolares? 

São atendidos cerca de 42.000 estudantes ao ano.


13. Como você vê a proposta de um espaço educacional dentro de museu?

A natureza educativa do Museu Afro Brasil está vinculada à complexa tarefa de, a partir do seu acervo, das exposições temporárias e das demais atividades desenvolvidas, desconstruir um imaginário da população negra, construído fundamentalmente pela ótica da subalternidade, ao longo da nossa história, e transformá-lo em um imaginário fundado no prestígio e no pertencimento. O respeito por uma população matriz da nossa brasilidade é reafirmado e, ao mesmo tempo, um espaço educativo confortável de reconhecimento e importância desta mesma população é garantido.


14. A demanda é grande? 

Sim e fundamentada pela Lei 10.639/2003.


15. O museu conta com uma equipe multidisciplinar com pessoas formadas em letras, geologia, psicologia e arte? 

Sim, os educadores são profissionais com formação especializada, mestrandos em diversas disciplinas das Artes, Letras, História, etc.


16. Qual é o número aproximado de visitações por ano?

Em 2014, tivemos 209.097 visitantes, dentro do museu e em ações extramuros.


17. Como é feita a divulgação do museu?

A programação é divulgada no site do museu (http://museuafrobrasil.org.br/), no app próprio e em outros aplicativos parceiros na área da cultura, Catraca Livre e instituições correlatas e de mídia, releases para imprensa, gestão de conteúdo para mídias sociais (Facebook, Twitter, Instagram).


18. Fale-nos sobre as novas aquisições do acervo do museu.

A escultura Oxóssi, do artista plástico Carybé, é uma nova aquisição. A obra foi adquirida pela Secretaria de Estado da Cultura e doada ao Museu Afro Brasil.


19. Quais são os dias e horários de funcionamento do museu? Onde fica? 

O museu abre de 3ª a domingo, das 10 às 17 horas. Quintas e sábados oferecem acesso gratuito e, nos demais dias, os visitantes pagam R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia). A entrada fica na Av. Pedro Álvares Cabral – Parque Ibirapuera, portão 10, em São Paulo (SP).