Notícia

30- Julho - 2015

Questões socioculturais no Museu da Diversidade Sexual

 


A Feambra teve a oportunidade de conversar com Franco Reinaudo, Diretor do Museu da Diversidade Sexual (MDS), o terceiro do mundo e primeiro da América Latina relacionado à temática. Com o objetivo de valorizar a diversidade sexual no Brasil por meio de ações de pesquisa, o museu aborda a história da população LGBT, entendendo seu papel na cultura brasileira. Aprecie: 
 
Feambra: Como o Museu da Diversidade Sexual foi criado? Na sua opinião, qual o principal objetivo do Museu? 
 
Franco Reinaudo: O MDS foi criado a partir de uma demanda da população LGBT, que não possui espaços culturais e de visibilidade que tratem de suas questões - no nosso caso, a diversidade sexual. 
 
Em 2012, o Governo do Estado de São Paulo cria na Secretaria de Cultura o Centro de Cultura, Memória e Estudos da Diversidade Sexual, mais conhecido como Museu da Diversidade Sexual, com a missão de preservar o patrimônio sócio, político e cultural da comunidade LGBT brasileira, por meio da pesquisa, salvaguarda e comunicação de referências materiais e imateriais, com vistas à valorização e visibilidade da diversidade sexual, contribuindo para a educação e promoção da cidadania plena e de uma cultura em direitos humanos. 
 
F.: Conte-nos um pouco sobre a nova sede na Avenida Paulista. 
 
F.R.: Foi uma alegria e uma boa surpresa quando o Governador Geraldo Alckmin, durante a Parada LGBT de 2014, anunciou a cessão do Palacete Franco de Mello para abrigar a sede do Museu. O casarão, o último remanescente do primeiro loteamento residencial da Avenida Paulista, palco da maior Parada LGBT do mundo e local emblemático para a nossa comunidade. Estamos caminhando rapidamente para a inauguração da nova sede do MDS. No final do ano passado, um projeto do talentosíssimo escritório de arquitetura HEREÑU + FERRONI foi contemplado pelo PROAC Editais para o restauro do imóvel tombado e a construção de um anexo para abrigar salas expositivas, teatro e um centro de referência e pesquisa. O Museu da Diversidade Sexual deve estar pronto em breve na Paulista e vamos fazer uma grande abertura para toda a população de São Paulo. 
 
F.: Sobre a exposição em cartaz, conte-nos sobre o conceito e curadoria. 
 
F.R.: A 1° Mostra Diversa, que está atualmente em cartaz no nosso espaço expositivo na estação República do Metrô, traz um panorama do que está sendo produzido no País sobre diversidade sexual. São projetos com as mais variadas visões sobre expressões de gêneros, identidades e orientações. A exposição também tem como objetivo dar uma oportunidade para novos e consagrados artistas apresentarem esses trabalhos, que~, pela temática, nem sempre conseguem exibi-los em espaços tradicionais.   
 
F.: Todo museu tem um papel educativo forte. Fale um pouco da expectativa da instituição dentro deste foco. Além disso, quais são os planos para o Educativo em 2015 / 2016? 
 
F.R.: O Educativo do Museu da Diversidade Sexual tem por objetivo estabelecer diálogos com os visitantes acerca das principais questões relacionadas à diversidade sexual, como por exemplo: cidadania, direitos humanos, preconceito, discriminação, orientação sexual e identidade de gênero. 
 
Para este segundo semestre de 2015 e continuando em 2016, o Educativo tem como prioridade a sensibilização de educadores de outros museus e instituições culturais para a compreensão dos conceitos sobre as minorias sexuais, seus direitos e as maneiras mais adequadas de tratamento dentro de um espírito de respeito e igualdade. Em 2016, temos a intenção de estender essa sensibilização para as escolas. 
 
F.: Na sua visão como diretor de museu, como vê o papel das associações de amigos de museus no Brasil? 
 
F.R.: São fundamentais para que o museu possa estabelecer um canal de comunicação permanente com a sociedade. Acredito também que as associações de amigos de museus, hoje, têm um papel importante para auxiliar na concretização das estratégias e metas estabelecidas pelos museus, bem como potencializar suas ações e atividades. Uma associação atuante faz toda a diferença. 
 
F.: Quais orientações você daria para outros diretores de museus fora da grande São Paulo e com menores possibilidades de recursos financeiros? 
 
F.R.: Criatividade e parceria são as palavras mágicas para todos os equipamentos culturais hoje em dia. Não fugimos a essa regra aqui no Museu da Diversidade Sexual. Na verdade acho que é muito mais gratificante quando conseguimos realizar uma exposição, uma atividade educativa ou mesmo uma pequena ação cultural com poucos recursos. Une a equipe, mostra seu comprometimento e fornece uma grande chance de exercitar a criatividade de seus colaboradores. 
 
O estabelecimento de parcerias com empresas, instituições e poder público, que nem sempre significam recursos financeiros, pode fazer uma grande diferença para os museus. Nosso pré-plano museológico, por exemplo, foi desenvolvido em parceria com a museóloga Katia Felipini do Memorial da Resistência sem custos para o Museu da Diversidade Sexual.