Comunidade

29- Março - 2016

Feambra entrevista Ademir Takara, do Museu do Futebol

 

 

 A Feambra teve a oportunidade de conversar com Ademir Takara, bibliotecário do Centro de Referência do Futebol Brasileiro (CRFB), do Museu do Futebol.

 

 

 1.  A biblioteca/midiateca do Museu do Futebol surgiu quando e como?

 R: Foi inaugurada em 4 de outubro de 2013. Ela faz parte do projeto de implantação do Centro de Referência do Futebol Brasileiro (CRFB), cujo objetivo é constituir uma rede de pessoas, instituições e coleções sobre futebol, propiciando o acesso a conteúdos e a troca de conhecimentos.

 

 

 2. Quantos títulos existem no acervo? Você pode nos contar um pouco sobre o conteúdo dessas obras?

 R: Atualmente, temos 1.739 títulos de livros catalogados, envolvendo todos os aspectos do futebol: desde história e análise sócio-antropológica, passando pelos aspectos econômicos, jurídicos e administrativos, chegando até a biografia de jogadores, técnicos, dirigentes e as obras literárias que têm o futebol como personagem central ou como pano de fundo. Além de, é claro, livros de regras e treinamento.

 Temos ainda, aguardando catalogação, 903 arquivos, entre artigos, teses, dissertações e outros itens em pdf, 231 títulos de periódicos, totalizando mais de 3.200 exemplares. E a midiateca tem 581 títulos, também aguardando catalogação, mas que podem ser consultados no local.

 

 

 3.  Os conteúdos ficam disponíveis online?

 R: Todos os livros catalogados estão referenciados no banco de dados do Museu do Futebol, mas, para ler, só visitando a biblioteca. O que pode ser baixado são os relatos de campo, feitos pelos pesquisadores do CRFB, principalmente sobre o futebol amador em São Paulo, e os artigos do 1º Simpósio de Estudos sobre Futebol: futebol, sociedade e cultura, pesquisas e perspectivas, realizado em 2010.

 

 

 4. É necessário fazer algum tipo de assinatura para utilizá-la? É paga? A pessoa precisa ficar sócia? É cobrado ingresso?

 R: O banco de dados pode ser acessado, livremente, no endereço http://dados.museudofutebol.org.br/2d, que funciona melhor com o Google Chrome. O acesso à biblioteca é gratuito, mas é necessário passar na bilheteria do Museu do Futebol, informar nome e RG, antes de retirar um crachá para abrir o elevador de acesso à biblioteca.

 

 

 5.  O visitante que for à biblioteca e midiateca também tem ingresso ao museu?

R: Não. Como a biblioteca fica no final da exposição, e o percurso é em um único sentido, não é possível fazer o caminho inverso. A dica é fazer a visita aos sábados, dia em que a entrada é gratuita, assim o interessado pode pesquisar na biblioteca e depois fazer a visita completa ao Museu.

 

 

 6.  Quais são os pré-requisitos para as pessoas poderem utilizar a biblioteca e midiateca?

 R: Não há pré-requisitos, a biblioteca está aberta a todos os interessados.

 

 

 7.  As obras podem ser retiradas do local?

 R: Não, a consulta é local.

 

 

 8.  Como é a estrutura da biblioteca e midiateca?

 R: Temos quatro computadores para quem quiser conferir os CDs e DVDs, com acesso à Internet. Caso o pesquisador queira trazer laptop ou tablete, temos tomada e wi-fi.

 

 

  9.  O projeto tem parcerias com institutos de apoio à cultura, à língua e à literatura?

 R: A implantação do CRFB teve como parceiros a POIESIS - Instituto de Apoio à Cultura, à Língua e à Literatura e o Núcleo de Antropologia Urbana da Universidade de São Paulo – NAU/USP.


 10. As exposições da biblioteca e midiateca são de longa duração?

 R: Não há exposições na biblioteca. Mas o acervo bibliográfico e audiovisual foi definido de modo a dialogar e complementar a exposição de longa duração.


 11. Qual é o horário de funcionamento da biblioteca/midiateca?

 R: O acesso é permitido de terça a sábado, das 10h30 às 17 horas.

 

 

 12. Há muita procura pela biblioteca/midiateca?

 R: Há muita curiosidade. Em 2015, passaram5.561 pessoas pela biblioteca, das quais 284 eram pesquisadores (isto é, vieram exclusivamente para usar a biblioteca) e 3.881 eram visitantes do Museu, que acabaram conhecendo a biblioteca também. Além disso, tivemos 235 consultas não-presenciais, por e-mail, telefone e mídias sociais.

 

 

 13. É possível saber os valores investidos na biblioteca/midiateca?

 R: Os recursos foram garantidos pela Financiadora de Estudos e Pesquisas - FINEP - órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia. O total investido na criação do CRFB foi de R$ 1.154.425,86: valor com serviços, equipamentos, compra de acervo e pagamento dos pesquisadores-bolsistas incluídos.

 

 

 14. Como é formada a equipe que cuida da biblioteca/midiateca?

R: A biblioteca possui um bibliotecário e uma assistente de biblioteca, ambos graduados em Biblioteconomia e fãs de futebol.

 

 

 15. Conte nos um pouco sobre a sua experiência na biblioteca, sua visão quanto à utilização e algo curioso que gostaria de divulgar.

R: Entendo a biblioteca não apenas como uma fonte para pesquisadores e curiosos, em geral, mas também como um complemento à exposição de longa duração, que conta a história do futebol brasileiro de uma maneira específica, com foco no eixo Rio-São Paulo. A biblioteca pode incluir não apenas outras versões e outros personagens, mas abrir espaço para a memória futebolística de lugares tão diferentes como Joinville ou Cajazeiras, Amapá ou Alagoas. Lembro-me de um turista japonês, que dizia ter jogado no Corinthians, perguntei seu nome e ele respondeu Koichi. Peguei o livro do Celso Unzelte 'Almanaque do Timão' (Editora Abril, 2000) e lá estava: Koichi Hashimoto jogou duas vezes pelo Corinthians, em 1994, durante uma excursão do time brasileiro ao Japão. Ele ficou muito feliz e fez questão de tirar fotos do livro.