Notícia

30- Maio - 2016

Feambra é palco de bate-papo sobre Associações de Amigos de Museus e a crise

 

 

Para encerrar o mês de maio de um jeito especial, celebrando o Dia Internacional dos Museus, comemorado no último dia 18, a Feambra teve a honra de receber representantes de importantes instituições culturais, que se posicionaram sobre o tema “O Papel das Associações de Amigos de Museus em Momentos de Crise”. 

 

Eduardo Saron, Diretor Superintendente do Itaú Cultural, Juliana Sá, Diretora de Relações Institucionais do MASP e Davidson Kaseker, Diretor do GTC SISEM, falaram sobre o atual cenário brasileiro e a importância das Associações de Amigos de Museus para gerar mais ações e visibilidade no mundo cultural.

 

“Cultura sempre abre espaço para muita conversa”, disse Eduardo Saron, iniciando a rodada. Ele acha o papel do voluntariado determinante para as Associações de Amigos de 

Museus e falou da necessidade de um núcleo de profissionais dos museus com autonomia trabalhando em conjunto com os voluntários, com clareza sobre a função de cada um. “O objetivo de trabalho dos associados, além de emprestar tempo e prestígio, é oferecer recursos financeiros, fora da Lei Rouanet”, afirma.

 

Desde que a Lei Rouanet foi criada, em 1991, foi instituído o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac) e foram criados três mecanismos de apoio: os Fundos de Investimento Cultural e Artístico (Ficart), o Fundo Nacional de Cultura (FNC) e o Incentivo a Projetos Culturais (Mecenato). Embora tenha sido criada com essas três frentes, não foi utilizada como deveria. Assim, foi sempre alvo de críticas, tendo em vista que o Mecenato acabou sendo aplicado a projetos que deveriam ter apoio de uma das outras frentes. Ele vê com bons olhos o Pró-Cultura, projeto em discussão no Senado.

 

Saron falou também sobre as três grandes ondas históricas no mundo da cultura brasileira: na primeira, a criação do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no final do governo Getúlio Vargas, anos 30. A segunda veio com o desenvolvimento da indústria brasileira - passagem de rural a industrial. E a terceira teve início com a criação do Ministério da Cultura, no governo Sarney.

 

Em sua exposição, destacou a importância de uma governança moderna e ativa nos museus e a transparência no relacionamento entre empresas, instituições e patrocinadores. 

 

Juliana Sá fez uma analogia do Programa de Amigos com a torcida de um time de futebol, como pessoas que contribuem, criticam, participam, reverberam o que está acontecendo dentro do museu. Relatou o tipo de tratamento que acredita deva ser dispensado a estes amigos, com cartas de aniversário e de avaliação e agradecimento a cada visita que realizam, por exemplo. Além de atrair pessoas para serem Amigos, há a preocupação em como mantê-los. Uma das ideias é a criação de campanhas, como Dia dos Namorados, Dia dos Pais, para oferecer a eles vantagens extras.

 

“Os principais benefícios para os Amigos do MASP são descontos em produtos do museu, direito aos conteúdos gerados pelos palestrantes e visitas feitas mensalmente com curadoria”, diz, acrescentando que eles possuem ainda um telefone e um e-mail específicos para se relacionar com o MASP.

 

“Enxergo momentos de crise como ótimas oportunidades para repensar e reanalisar problemas e convido o público a ter mais conexão com a cidade e pertencer a museus. A gratuidade de terças-feiras, o pagamento parcelado do Programa de Amigos, que já tem valor bastante acessível, as palestras gratuitas e as brochuras com conteúdos do museu por R$ 10,00 são formas de inclusão democratizada do Masp”, declara.

 

O Masp tem um canal aberto para se comunicar com as pessoas físicas e jurídicas interessadas em se tornar amigas do museu: amigos@masp.org.br

 

Davidson Kaseker encerrou os discursos de maneira particular, convidando a Feambra a uma parceria com o SISEM para criar um selo de qualidade para atuar nas questões de fomento, financiamento, editais do PROAC e incentivar pessoas físicas e jurídicas a doarem e criar programas do circuito museal.

 

“A Feambra tem competência e legitimidade para capitanear um esforço de tamanha envergadura e contribuir na triagem das associações, fazer análise de projetos para juntos instruirmos no programa e passar orientações técnicas de como acessar recursos, divulgar mecanismos para constituir projetos com possibilidade de abrir para participação mais ampla na sociedade, dando acesso a pessoas físicas com estratégias de marketing e linguagem mais adequada”, complementa ele.

 

Tivemos uma verdadeira aula de história e cultura aqui na sede da Feambra, com muitos exemplos de como o atual cenário político econômico brasileiro pode influenciar positivamente com o comportamento artístico no País. Além dos expositores, participaram do evento membros de instituições culturais de várias partes do Brasil.

 

Que venham os próximos encontros e muito trabalho.