Comunidade

31- Outubro - 2016

Tudo sobre a 3ª Rodada de Conhecimento Feambra

No dia 25 de outubro, a Feambra recebeu personalidades do universo museal e amantes da cultura para a sua 3ª Rodada de Conhecimento. 

Davidson Kaseker, diretor do GTC SISEM/Secretaria de Cultura de SP, Maria Izabel Branco Ribeiro, do Conselho Internacional de Museus/ICOM BR, Andrea de Araújo Nogueira, do Sesc - Centro de Formação e Pesquisa, e Lucas Pessôa, diretor operacional do MASP, se posicionaram sobre o tema “Associações de Amigos de Museus e o seu envolvimento com a sociedade”. 

A primeira edição foi realizada em 2014, por ocasião do 25º aniversário da Feambra, e tem sido realizada anualmente, em outubro, para celebrar a data. 

Para dar início às apresentações, Camila Leoni, diretora executiva da Feambra, foi mediadora e deu as boas-vindas aos convidados, passando a palavra a Davidson Kaseker, que parabenizou a Feambra por sua importância extraordinária no contexto brasileiro e falou sobre o envolvimento das associações de amigos de museus com as instituições. 

“Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país”, de John Kennedy, foi a frase utilizada por Davidson para ilustrar o assunto sentimento de patriotismo e comprometimento do indivíduo com a sociedade. Segundo ele, hoje o Estado precisa ter o seu compromisso com a cultura, mas, aqui no Brasil as pessoas acham que a obrigação é só dele. O representante da Secretaria de Cultura disse que 80% das obras dos museus são provenientes de doações, de pessoas físicas em sua imensa maioria, e de pessoas jurídicas, em alguns casos. 

“Infelizmente, no Brasil não temos a cultura que fortalece a participação individual da sociedade ou das associações, assim surge a importância que a Feambra representa. O artigo 215 da Constituição Federal afirma que patrimônio cultural é um bem coletivo de responsabilidade de todos, o que inclui também a sociedade”, afirmou.

Ele falou ainda de democracia e democratização cultural e exemplificou o celular como um fator externo que impactou a sociedade em uma velocidade absurda. Afirmou que São Paulo, como a quarta maior cidade do mundo, deixa a desejar quando o assunto é envolvimento da sociedade na cultura, mas que a grande dificuldade é no interior do Estado, onde as associações devem entrar fortemente. 

Para encerrar, Davidson falou sobre o Fórum das Artes de Botucatu, projeto que está para ser lançado, em parceria com a Pinacoteca. Botucatu tem grande influência regional e é um modelo de gestão pública dos museus.

Maria Izabel Branco Ribeiro abriu o seu discurso com a pergunta “quem não precisa de amigos?”, para responder em seguida que “os museus precisam”! Contou um pouco da história do Icom (International Council of Museums), que foi criado em 1946 como iniciativa do norte-americano Chauncey J. Hamlin, com o apoio da Unesco e o objetivo de estabelecer uma rede de apoio para funcionários de museus, com base em elementos como ética, profissionalismo e expansão geográfica. 

O conselho nasceu batalhando por papel educacional dos museus, circulação de produção cultural, conservação e restauração do patrimônio cultural.

Izabel falou de alguns anos que foram marcantes para a cultura:

1970 – mudança do papel do museu na sociedade e surgimento de novo tipo de museu;

1974 – possibilidade de associações, maior abertura e crescimento delas. Momento de mudanças, aumento nas atividades dos museus para suprir as novas demandas da sociedade;

1978-1989 – internacionalização! Além dos focos em museus europeus e norte-americanos, naquele momento África, Ásia e América Latina também recebem atenção especial, com treinamento de profissionais de museus, difusão de material técnico, ênfase do museu a serviço da sociedade e seu desenvolvimento e código de ética como referência.

1989-1996 – eficiência e universalidade, reconhecimento internacional, desenvolvimento econômico e cultural.

1996-2004 – foco no patrimônio cultural, Red List (cada país faz a lista dos 100 objetos desaparecidos que mais gostaria de recuperar. Brasil ainda não tem).

Ela aproveitou para falar do filme “Os Caçadores de Tesouros”, história de um grupo de curadores e historiadores de arte que, no final da Segunda Grande Guerra, foram enviados por Franklin Roosevelt (então presidente dos Estados Unidos), para reaver obras de arte que foram saqueadas pelos nazistas durante os anos da guerra e devolvê-las aos respectivos donos. 

Para finalizar a sua apresentação, Maria Izabel  falou sobre o Blue Shield ou Escudo Azul, símbolo de proteção ao patrimônio imaterial, que representa locais que não seriam bombardeados durante conflitos. Trata-se de um compromisso entre os signatários desse acordo e funciona bem. O Brasil é um deles e o comitê brasileiro do Blue Shield acaba de ser oficializado aqui. O trabalho abrange prevenção de de riscos causados por desastres naturais ou pelo homem, o que é bastante relevante. Incêndios, por exemplo, são graves problemas que podem ser combatidos com esse programa. 

Andrea de Araújo Nogueira comunicou sobre os núcleos do Centro de Pesquisa do Sesc, cursos, seminários e falou da importância do trabalho em conjunto. “Estamos em uma era em que a rede de trabalho com cultura precisa ser implementada em todas as extensões sociais, surgindo relações a partir dos contatos culturais”. 

Ela falou da importância da mobilização da sociedade utilizando as novas mídias para criar ações em conjunto e refletir sobre política cultural, mobilização e inovação cultural. 

No Sesc, são desenvolvidos processos de qualificação para a gestão no campo da cultura e das artes. Andrea divulgou uma pesquisa - https://centrodepesquisaeformacao.sescsp.org.br/revista/index.php?cor=verde – sobre hábitos culturais, em que foi constatada a questão econômica como principal fator para as classes D e E não irem a museus. 

Lucas Pessôa divulgou o programa de voluntariado do Masp, que está no seu quarto mês, com base nos perfis das pessoas que se voluntariam no Brasil e nos museus de fora do País.

“Os benefícios do programa de voluntariado para museus são: aumentar a qualidade de serviços e programas oferecidos, engajamento com a comunidade, e otimização de processos e custos”, afirmou. 

De acordo com a pesquisa feita pela instituição, 25% dos brasileiros já fizeram trabalho voluntário, em média durante 4,6 horas por dia e têm 51 anos, 67% trabalham fora de casa, 11% são aposentados. Perfis que encontraram: estudantes, para atividade extracurricular; profissionais, por hobby e interesses específicos; aposentados, para ocupar o tempo; famílias, pela oportunidade de ficar mais tempo unida e e-volunteers, que não ficam fisicamente nos museus e que têm motivação intelectual.

O Masp oferece uma série de benefícios para seus voluntários, como descontos de 10% no Café MASP Suplicy, 10% no MASP Escola, 20% no MASP Restaurante, 20% no MASP Loja, 30% nas salas do Itaú Cinemas, 50% no Auditório MASP Unilever e 50% no Cinema Reserva Cultural e na Caixa Belas Artes. No processo seletivo foram inscritas 192 pessoas e foram escolhidas 17, sendo 75% pós-graduadas e 50% com idades de 20 a 29 anos.  

“A nossa meta é estar com 40 voluntários em 2017”, concluiu. 

Para encerrar, Nelson Colás, diretor de Relações Institucionais e Fernanda Santiago, consultora, ambos da Feambra, falaram sobre a parceria da instituição com a ferramenta IT.ART para recrutar voluntários e sobre o mapa de associados que está sendo elaborado por eles e estará disponível no site em breve, com a localização e perfil de cada museu associado à entidade.