Notícia

06- Novembro - 2017

Os bastidores da 4ª Rodada de Conhecimento Feambra

 

 Em seu 28º aniversário, a Feambra realizou sua 4ª Rodada de Conhecimento “A hora da sociedade participar (Quem paga a conta?)”. Camila Leoni, diretora executiva da Feambra, foi a mestre de cerimônia. Dr. Marcelo Braga, presidente da Feambra, conversou com o público, contando um pouco sobre a história da instituição, que era menor quando assumida por ele e ficava no Butantã. “Hoje, temos 130 associados e estamos entre as cinco maiores federações de museus do mundo. Nossa meta é preservar a nossa cultura e fazer a sociedade civil participar dela”, afirmou ele.


O Espaço Feambra recebeu importantes nomes da cena cultural brasileira, como Dr. Marcos Arbaitman, presidente da Associação AME Jardins, que falou um pouco sobre como nasceu a AME, entidade que cuida desta região de São Paulo, há dez anos, preservando suas áreas verdes. Reforçou que os museus estão precisando de amigos. “Museu é a essência da nossa vida. Quem não respeita o passado não terá presente, nem futuro”, completou. 


Dr. Marcos da Costa, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – São Paulo (OAB SP) apresentou uma nova proposta para a sociedade brasileira: o Memorial da Luta e da Justiça. Leia mais aqui (link). 


Flávia Veloso, diretora do Museu Brasileiro de Escultura e Ecologia (MuBE), falou da importância do papel da Feambra para trazer modelos de participação da sociedade na manutenção de museus. “Temos que olhar nossa história, prezar a memória do País e levar conhecimento para a sociedade. Museus são centros de convivência, discussão e propagação da cultura. Museu não é só um lugar, é uma ideia construída na ideia que as pessoas têm dele, o que guardam e a sua identidade”. Ela contou que o MuBE começou com uma briga ecológica. Até o início dos anos 1980, era um grande casarão desocupado há muito tempo e queriam construir um shopping no local, mas um grupo de pessoas que morava em seu entorno conseguiu fazer com que Jânio Quadros, prefeito de São Paulo (pela segunda vez) na época, desapropriasse a casa. O grupo de amigos obteve, então, uma concessão da prefeitura para construir o museu,  que a princípio era um centro cultural de ecologia. O projeto é de Paulo Mendes da Rocha, com paisagismo de Burle Marx, e foi premiado em 1986. É uma das dez obras mais importantes da arquitetura do Brasil, e foi construída com recursos privados. Sua maquete está em destaque no Moma, em Nova York. 


Gabriela Aidar, coordenadora dos Programas Educativos Inclusivos do Núcleo de Ação Educativa da Pinacoteca de São Paulo, representando também o Conselho Internacional de Museus/International Council of Museums (ICOM BR), apontou dados de consumo e frequência cultural no Brasil. Uma das informações mostradas foi que ser escolarizado é um dos traços que caracterizam maior consumo de cultura. Ela mostrou uma pesquisa que prova que 70% dos brasileiros não vão a museus e muitas pessoas dizem que um dos obstáculos é o preço. A falta de interesse (que engloba a suposição de conhecimento ou, ao menos, familiaridade com o conteúdo apresentado no museu) e o desconhecimento da gratuidade de alguns eventos estão entre os motivos que fazem a população não frequentar os equipamentos culturais. Gabriela aproveitou para propor o desafio para que cada um que estava na plateia debatesse com seu vizinho de cadeira possíveis soluções para melhorar esse quadro. Segundo Jorge Landmann, presidente do MuBE, no início dos anos 2000 foram feitas parcerias do museu com escolas da periferia de São Paulo e o programa levou mais de mil crianças ao museu, mas o grande empecilho sempre foi o custo do transporte. 


Para Gustavo Horta, conselheiro da Feambra, cada um precisa fazer sua parte, sem ficar esperando alguma atitude do governo. Ele, por exemplo, comentou sobre a importância do trabalho voluntário e de atitudes transformadoras, como levar amigos e funcionários a exposições, iniciativa que os motiva a buscar novas atividades culturais. Para o presidente da Feambra, Dr. Marcelo Braga, se estivesse na grade escolar um programa que levasse os alunos a eventos culturais, como currículo obrigatório, os estudantes acabariam levando suas famílias, que convidariam também amigos, e assim por diante.