Notícia

04- Dezembro - 2018

Rodada de Conhecimento Feambra: discussão sobre a preservação e manutenção do Patrimônio Cultural

 

Com o tema “Preservação e Manutenção do Patrimônio Cultural”, a Federação de Amigos de Museus do Brasil (Feambra) reuniu no último dia 7 de novembro, durante a 5º Rodada de Conhecimento, personalidades do universo museal para debater – de acordo com suas experiências – quais os caminhos para estabelecer um processo contínuo que possa evitar danos ao patrimônio cultural, como o incêndio ocorrido no Museu Nacional, do Rio, destruído em setembro deste ano.

 

Abrindo as atividades, realizadas na sede da Feambra na capital paulista e acompanhadas por um público qualificado, o diretor de Relações Institucionais da entidade, Nelson Colás, destacou a participação dos presentes para a necessidade cada vez maior da criação de dispositivos que propiciem uma melhor conservação dos museus.

 

Na avaliação de Solange Ferraz de Lima, historiadora e diretora do Museu Paulista (Ipiranga), fechado desde agosto de 2013 para uma extensa restauração, um grande obstáculo nas instituições culturais não é apenas a falta de capital financeiro, mas a ausência de uma cultura de zeladoria cotidiana, de preservar e manter esses espaços, o que inclui ter profissionais especializados em seus quadros funcionais.

 

 “No nosso caso pretendemos, ao longo desses anos até a reinauguração, elaborar um manual com normas e protocolos para todos os itens de salvaguarda, do edifício, acervo, conservação preventiva, entre outros.  Com essas medidas, evita-se chegar a um ponto em que você tem que fechar o museu”, diz Solange. De acordo com a historiadora, os gestores de museus ainda enfrentam os entraves da Lei n 8.666/93, que dificulta a contratação de pessoas com perfis específicos e tão necessários aos museus. “Portanto, temos que melhorar a lei”, finalizou.

 

 Políticas públicas

 “No âmbito do Sistema Estadual de Museus do Estado de São Paulo (SISEM-SP) – instituição que tem como objetivo promover a qualificação e o fortalecimento institucional em favor da preservação, pesquisa e difusão do acervo museológico do Estado –, a preservação e a  manutenção desses locais está configurada como uma política pública, que reúne um conjunto de orientações técnicas de boas práticas e parâmetros técnicos para orientar os museus no que diz respeito à infraestrutura e à segurança. Trata-se do Cadastro Estadual de Museus de São Paulo (CEM-SP), dividido em três eixos: salvaguarda de ação de acervo; gestão e governança; e comunicação e serviços ao público, sem esquecer a capacitação da instituição”, afirmou Davidson Panis Kaseker, diretor do Grupo Técnico de Coordenação do Sistema Estadual de Museus de São Paulo. “A essência do CEM é construir um banco de dados sistematizado de informações para o desenvolvimento de políticas públicas, entender quais são as áreas que precisam de apoio específico e dar visibilidade às necessidades junto aos governantes e sociedade”, complementou.

 

Na mesma linha do SISEM, o Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) da Prefeitura de São Paulo também tem guias de orientação para elaboração de um plano de ação contínuo que assegure a preservação de imóveis tombados, sejam eles privados ou públicos. “Às vezes é muito mais fácil encontrar recursos para um restauro, seja por uma lei de incentivo ou patrocínio, do que para uma manutenção elétrica. Esse tipo de problema não dá visibilidade ao patrocinador. Uma das soluções que temos incentivado é a realização de permuta e tem dado muito certo”, observou Mariana de Souza Rolim, diretora do Departamento de Patrimônio Histórico da Prefeitura de São Paulo.

 

Fiscalização

Para Marília Bonas, diretora do Conselho Internacional de Museus Paulistas (ICOM Brasil), é importante que o cidadão frequentador do museu denuncie as anormalidades observadas durante sua permanência nesse tipo de espaço, tais como infiltrações ou problemas elétricos. Ele deve procurar o órgão responsável pela instituição visitada, que é obrigada a responder e também sinalizar uma solução.

 

Já os gestores de museus, além de comunicar os problemas existentes em todas as instâncias a qual estão subordinados, devem aumentar o círculo de parcerias para reduzir a dependência junto aos órgãos públicos.