Museu do Porto de Natal convida a uma viagem pelo tempo


Não é exagero dizer que o Museu do Porto de Natal (RN) é um museu de um homem só. Ele foi fundado pelo jornalista Aproniano César Fagundes Soares em 2004, que décadas antes já começava a guardar objetos que contam a história do lugar. Em uma iniciativa voluntária, dirige a entidade até hoje e se alegra com a visitação do público. Leia o relato do César, que conversou com a Feambra.  

Feambra: Como surgiu a ideia de criar o Museu do Porto?
César: Nasci em frente ao Porto de Natal. Minha diversão era visitar os navios que aqui chegavam, de companhias como Lloyd Brasileiro, Conan, Netumar, Petrobras, entre outras. Para cada navio, eu solicitava uma lembrancinha, ou melhor, souvenir. Eles me davam camisetas, chaveiros, postais, carteiras de cigarros, latinhas de alumínio de vários países, etc. Fui juntando desde 1972 e em 2004 fundei o Museu do Porto de Natal, com mais de 10 mil itens. No museu, porém, entraram dois mil objetos, foi o que coube. Todos estão catalogados. Ainda continuo recebendo objetos.

Feambra: Como é seu calendário de exposições?

César: Realizo exposições de acordo com o IBRAM. Por exemplo, na Semana Nacional de Museus, no Dia Nacional do Museu e a Exposição Anual do Aniversário do Porto de Natal, entre outras. Faço, inclusive, palestras sobre o Porto de Natal e a economia do Estado do Rio Grande do Norte. Este ano vou realizar uma exposição dos "15 Anos do Museu do Porto de Natal".

Feambra: Como consegue divulgar sua programação?

César: Todas as exposições geralmente são divulgadas por meio da imprensa — escrita e TV. Também interajo com o público, visitando escolas, universidades, etc. 

Feambra: Qual é a contribuição do museu?

César: O que o museu oferece é ensinar as crianças carentes a fazer maquetes de navios em PVC usado, além da contação de histórias. No museu, encontram-se três maquetes feitas por mim com a presença das crianças. Temos um navio com mais de dois metros de comprimento, carregado de contêineres. Muito bacana. Também acompanho pessoas em visita ao Porto de Natal, onde conto histórias da década de 1920 até os dias atuais.

Feambra: Como é a estrutura do museu? Quanto é o ingresso?

César: Não cobro nenhum centavo. Tem uma caixinha para quem quiser contribuir, verba que destino para as despesas com energia, limpeza, etc. O museu está localizado no Mercado Público Cultural de Petrópolis, no mezanino. Tem acesso para deficiente com plataforma (elevador). Mesmo assim, meu sonho é ficar mais próximo do porto.

Feambra: E como consegue viabilizar seu funcionamento?

César: O museu não tem apoio de nenhum órgão de governo municipal, estadual e federal. Nunca consegui participar de nenhum tipo de programa com leis de incentivo à cultura, isso aqui é complicado. Não faço parte de nada relacionado com política. Em 2017, realizei a maior exposição de Natal relacionada ao Porto de Natal, com 4.216 fotos e reportagens sobre o porto para comemorar seus 85 anos, no Palácio dos Esportes. Saí vendendo rifa, pedindo ajuda às pessoas. Só em prol da cultura, consegui realizar esse evento, com muita movimentação da imprensa e do público em geral.

Feambra: Você conta com outras pessoas para ajudar nesse trabalho? Como a sociedade pode se envolver?

César: Não tenho voluntários, eu que faço tudo. O que a sociedade faz, e eu agradeço, é visitar o museu.